quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A DINASTIA DE AVIZ (1385-1580)

A Dinastia de Aviz

Revolução de 1383-1385 - Ascensão ao trono do Mestre de Aviz 

NOTA - Neste períodos da História de Portugal, além dos acontecimentos mais importantes relacionados com a História de Portugal, também se descrevem os factos mais importantes da História Universal, que de uma forma directa ou indirecta, também influenciaram a História de Portugal.


D. Beatriz - A única filha do rei D. Fernando I de Portugal, e sua jurada sucessora, D. Beatriz, casara com o rei de Castela, pondo-se assim termo a uma série de guerras contra aquele reino, que haviam enfraquecido a economia de seu país. D. Fernando morreu alguns meses depois deste casamento.

D. Leonor Teles, a viúva de D. Fernando, nunca fora bem vista pelo povo e pela nobreza, que a não podia respeitar por ser ela já casada quando o rei, tomado de paixão, a roubou a seu marido, João Lourenço da Cunha, apelidado por isso mesmo de o Corninhos de Oiro — pois se enfeitara, por desgosto e luto, desde esse dia, com um chapéu munido de dois chifres dourados. 

Mas, sob o reinado de sua filha D. Beatriz, residindo no estrangeiro, cabia-lhe a ela governar o reino como regente até que um filho de D. Beatriz completasse 14 anos, e viesse reinar pessoalmente em Portugal, conforme estipulado no Tratado de Salvaterra, contrato de casamento da princesa portuguesa, entre as coroas de Portugal e de Castela.

Isso desencadeou revoltas populares: as populações recusavam-se a aceitar a aclamação de uma rainha que era mulher de um rei estrangeiro (Castela), embora não por tal facto poder vir a dar origem à união dos dois países e em consequência a perda de independência de Portugal, mas sim por ódio à Rainha-Regente, considerada pessoa imoral, a quem não reconheciam por rainha porque bígama e de maus costumes.

Os povos de Lisboa e outras partes do Reino, juntos com boa parte da nobreza, pediram então a D. João, mestre da Ordem de Avis, (filho natural legitimado do rei Pedro I, que aceitasse lutar contra D. Beatriz e o seu marido João de Castela, sendo o aclamado Regente (Regedor e Defensor do Reino).

Fugida a rainha D. Leonor Teles de Menezes de Lisboa, destituída da regência, viu-se obrigada a solicitar ao genro, o rei de Castela (chamado João I) para vir eliminar a revolução, e reinar pessoalmente em Portugal junto com D. Beatriz. Dirigiu-se o soberano castelhano para Lisboa, à testa de grande exército, cercando a cidade por terra, e também pelo rio, com a sua armada.


A burguesia da próspera cidade de Lisboa, assim como muita da nobreza filha segunda, entre muitos outros partidários apenas por ódio a D. Leonor Teles e ao seu amante galego, o conde Andeiro, apunhalado durante a revolução pelo novo Regente, aderiram facilmente à causa do Mestre de Avis. Foi a burguesia de Lisboa, mais rica, logo seguida por outras terras, quem financiou o esforço militar da revolução. Mas parte do clero e das primeiras figuras da nobreza portuguesas, por dever de fidelidade feudal, apoiavam ainda a sua rainha D. Beatriz
Batalha de Trancoso  (1385)

A Batalha de Trancoso ocorreu provavelmente no dia 29 de Maio de 1385, entre forças Portuguesas e Castelhanas.

No contexto da crise de 1383-1385, ao final da Primavera de 1385, ao mesmo tempo em que D. João I de Castela invadia o país ao Sul, pela fronteira de Elvas, forças castelhanas invadiam a Beira por Almeida, passavam por Trancoso, cujos arrabaldes saquearam, até atingir Viseu, cidade aberta, também na ocasião saqueada e incendiada.

Ao retornarem da incursão com o esbulho, saiu-lhes ao encontro o Alcaide do Castelo de Trancoso, Gonçalo Vasques Coutinho, com as forças do Alcaide do Castelo de Linhares, Martim Vasques da Cunha e as do Alcaide do Castelo de Celorico, João Fernandes Pacheco. Estando os dois primeiros fidalgos desavindos à época, o terceiro promoveu a reconciliação de ambos, e assim concertados, com os respectivos homens de armas e as forças que conseguiram arregimentar, fizeram os arranjos para o combate.

De acordo com estudos que levaram afixar o feriado municipal em 29 de Maio, ocorreu o encontro entre as forças de Castela e as de Portugal, no alto da Capela de São Marcos, em Trancoso. A sorte das armas sorriu para os nacionais, que desse modo recuperaram as posses, alcançando a liberdade dos cativos.

A Batalha dos Atoleiros (6 de Abril de 1384)

Entretanto, um pequeno exército português, chefiado por D. Nuno Álvares Pereira (que apoiava o Mestre de Avis) vence os castelhanos na batalha dos Atoleiros com uma táctica inovadora na Península. O aparecimento da peste nas tropas sitiantes de Lisboa obrigou o rei de Castela a se retirar para o seu próprio reino.

Batalha dos Atoleiros ocorreu a 6 de Abril de 1384, no actual município português de Fronteira no distrito de Portalegre, a cerca de 60Km da fronteira com Castela, entre as forças portuguesas, comandadas por Nuno Álvares Pereira, e uma expedição punitiva castelhana, enviada por João I de Castela, junto da povoação do mesmo nome no Alentejo.

D. Nuno Álvares Pereira, chefe militar português que tinha sobre o seu comando uma força de 1.200 homens de pé, dos quais 100 besteiros e 300 lanças (cavalaria ligeira e pesada). As forças castelhanas invasoras, contam com um efectivo de aproximadamente 5.000 homens.

Por esta altura Nuno Álvares Pereira tinha sido nomeado pelo Mestre de Avis como fronteiro do Alentejo, temendo a entrada em Portugal do exército castelhano por aquela zona. Partindo de Lisboa, D. Nuno aumentou o número dos seus homens pelo caminho e aproximou-se do exército inimigo que intentava cercar Fronteira.

Mais numerosos e conscientes que D. Nuno os iria interceptar, os castelhanos enviaram um emissário ao chefe do exército português, tentando dissuadi-lo. Perante a recusa dos portugueses, o exército castelhano dirigiu-se ao seu encontro. O exército português já os aguardava, formando um quadrado, com a maioria das lanças na vanguarda; nas alas e retaguarda estavam os peões misturados com algumas lanças. Os castelhanos atacaram com a cavalaria, que foi contida pelas lanças e virotões, o que gerou grande desordem. A batalha durou pouco, tendo sofrido o exército castelhano pesadas baixas.

Derrota castelhana
Após algum tempo, outro exército luso-castelhano, por D. Beatriz e seu marido, invadiu novamente Portugal, acontecendo em Aljubarrota (1385) uma batalha decisiva e perigosa: aproveitando as vantagens da colocação no terreno e utilizando tácticas Romanas (conjunto de paliçadas) as tropas portuguesas, em número muito inferior, e chefiadas pelo rei D. João I na rectaguarda e por D. Nuno Álvares Pereira, seu condestável, na vanguarda.

Conseguiram uma notável vitória que deu brado na Europa do tempo, sobretudo pela utilização pelos portugueses das novas tácticas das covas de lobo, disfarçadas no terreno onde manhosamente haviam atraído o inimigo, onde caíram os pesados cavaleiros castelhanos, e pelo emprego sistemático das ágeis lanças.

É por vezes referido que a táctica lusa passou pelo uso da táctica do quadrado, embora não seja provável que tal tenha acontecido.

A Batalha de Aljubarrota (14 Agosto 1385)

A Batalha de Aljubarrota marca o momento decisivo da guerra luso-castelhana de 1384-1397. Depois de levantar o cerco de Lisboa, D. João I de Castela voltou a reunir as suas tropas para tentar de novo conquistar Portugal. A 13 de Agosto os Castelhanos chegavam a Leiria, adiando o encontro com as tropas de D. João I de Portugal para o dia 14.

Batalha de Aljubarrota - Iluminura no Museu Britânico
Nuno Álvares Pereira ao ver a superioridade numérica dos Castelhanos, fez rapidamente inverter as suas frentes de batalha, posicionando-as na estrada de Leiria para Lisboa. As tropas portuguesas, embora militarmente pior equipadas, conseguiram derrotar os Castelhanos graças ao excelente comando e às tácticas indicadas pelo Condestável Nuno Álvares.

Durante três dias a hoste portuguesa manteve-se no campo de Aljubarrota, em sinal de vitória, segundo o espírito cavaleiresco da época.

Batalha de Valverde (14 Outubro de 1385)

Pouco tempo depois da vitória portuguesa de Aljubarrota, Nuno Álvares Pereira entrou, por Badajoz, no território castelhano. De Estremoz passara a Vila Viçosa e, daqui, a Olivença. Depois seguira em direcção a Mérida, para poder enfrentar as forças adversárias. Estas vieram pôr-lhe cerco em Valverde de Mérida, junto ao rio Guadiana.

Estava-se em 14 de Outubro de 1385. Atravessado o Guadiana, as tropas portuguesas viram-se atacadas. O Condestável — segundo a crónica de Fernão Lopes — ajoelhou-se a orar durante a batalha, quando as suas tropas estavam sofrendo pesadas baixas.  Do lado português, a vanguarda era comandada pelo Condestável, a retaguarda estava sob o comando de Álvaro Gonçalves Camelo, as alas estavam sob a chefia deMartim Afonso de Melo e de Gonçalo Anes de Castelo de Vide. Do lado castelhano, estavam os Mestres de Santiago e de Calatrava e o conde de Niebla. Um português, Martim Anes de Barbuda, estava do lado dos castelhanos e era o Mestre de Alcântara.

Durante a batalha o condestável retira-se para orar. O seu escudeiro vai ao encontro dele, chamando-o para a batalha. Depois de terminar a oração D. Nuno, percebendo que os castelhanos tinham usado todos os projécteis decide atacar o Mestre de Santiago que acaba por morrer e o seu estandarte derrubado. Com isto os castelhanos põem-se em fuga.

Mosteiro de Santa Maria da Vitória (1386)

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória (mais conhecido como Mosteiro da Batalha ) situa-se na Batalha, Portugal, e foi mandado edificar em 1386 por D.João I de Portugal como agradecimento à Virgem Maria pela vitória na Batalha de Aljubarrota. Este mosteiro dominicano foi construído ao longo de dois séculos até cerca de 1517, durante o reinado de sete reis de Portugal, embora desde 1388 já ali vivessem os primeiros dominicanos. 

Exemplo da arquitectura gótica tardia portuguesa, ou estilo manuelino, é considerado património mundial pela UNESCO, e em 7 de Julho de 2007 foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal. Em Portugal, o IPPAR ainda classifica-o como Monumento Nacional, desde 1910.


Mosteiro da Batalha
Património Mundial da Unesco

(The Monastery of the Dominicans of Batalha was built to commemorate the victory of the Portuguese over the Castilians at the battle of Aljubarrota in 1385. It was to be the Portuguese monarchy's main building project for the next two centuries. Here a highly original, national Gothic style evolved, profoundly influenced by Manueline art, as demonstrated by its masterpiece, the Royal Cloister.)

A paz definitiva com Castela só veio a ser assinada em 1411.

Para assinalar o acontecimento, D. João I mandou iniciar, no local, a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, conhecido por Mosteiro da Batalha, aonde jazem os príncipes da nova dinastia de Avis, em capela-panteão construída para esse fim.


João das Regras nas Cortes de Coimbra de 1385
Defesa da Causa do Mestre de Aviz

Mestre ou Doutor João Anes das Regras ou simplesmente João das Regras(Lisboa, 13?? - Lisboa, 3 de Maio de 1404) foi um jurisconsulto português. No contexto da Crise de 1383—1385 em Portugal destacou-se pela magistral representação da causa do Mestre de Avis nas cortes de Coimbra de 1385, cujo corolário foi a aclamação dele como rei de Portugal.
Biografia[editar | editar código-fonte]

Era filho de João Afonso das Regras ou de Aregas e de Sentil Esteves e, após o segundo casamento da sua mãe, enteado de Álvaro Pais. De acordo com Fernão Lopes esteve em Bolonha, e é verosímil que tenha estudado na universidade daquela cidade.

Túmulo de João das Regras (século XV) na Igreja de S. Domingos de Benfica.
Foi professor da Universidade de Lisboa, onde mais tarde desempenhou o alto cargo de encarregado ou protector, equivalente, segundo alguns, ao cargo de reitor (Carta Régia de 25 de Outubro de 1400).

Tal como o seu padrasto, teve uma acção importante no levantamento de Lisboa que alçou o mestre de Avis por regedor e defensor do Reino. Conselheiro e chanceler do mestre, a sua acção na crise de 1383-1385 culminou na inteligente argumentação em que, omitindo o nome do mestre, negou validade às pretensões dos outros candidatos ao trono.

D. João I - (1385-1433) - "O de Boa Memória"

A declaração de Coimbra, que declarava rei o Mestre de Avis, como João I e fundador de uma nova dinastia. tinha os seus fundamentos, porque a maioria da nobreza e clero ainda consideravam a rainha de Castela a sua herdeira de direito; mas o sentimento popular era mais forte, e João I tinha fortes e dedicados aliados em Nuno Álvares Pereira, "o Santo Condestável", o seu campeão militar, e em João das Regras, o seu chanceler e jurista.
Independência assegurada.

Muitas cidades de cidades e castelos permaneceram fiéis a Castela, quando Juan I apareceu com um forte exército no centro de Portugal. Ainda que em muito menor número, os portugueses ganharam a grande batalha de Aljubarrota ( 14 de Agosto de 1385), na qual a cavalaria Castelhana foi totalmente destroçada e Juan de Castela escapou dificilmente.

A vitória seguida por êxitos posteriores de Nuno Álvares, asseguraram o reino a João I e fizeram dele um aliado desejável. Uma pequena força de arqueiros ingleses estiveram presentes em Aljubarrota. O tratado de Windsor (9 de Maio de 1386) estabeleceu a aliança Anglo-Portuguesa, aliança até hoje permanente entre os dois reinos.

Jonh of Gaunt, Duque de Lencastre, veio à Península (Julho de 1386) e tentou uma invasão de Castela conjuntamente com João I. Não teve êxito, mas os portugueses casaram com o rei a filha de Jonh of Gaunt, Filipa de Lancaster (1387), que introduziu vários usos ingleses em Portugal .

A corte portuguesa falava em francês como na Inglaterra aristocrática e oficial, os príncipes tomam nomes ( Eduardo - Edward, Henrique-Henry) e títulos de duque, à inglesa, nascendo com notáveis dotes e sendo primorosamente educados no ambiente criado por D. Filipa, preceptora da corte, constituída por gente nova.


Arranjaram tréguas com Castela em 1387, mas a paz só foi finalmente concluída em 1411. A vitória de João de Avis pode ser vista como uma vitória do espírito nacional contra a ligação feudal da ordem estabelecida. Como muita da antiga nobreza tinha aderido a Castela, João I recompensou os seus seguidores à custa daquela e não da coroa.

Mudança de Calendário 

Em 22 de Agosto do ano da Era Juliana de 1460, o Decreto Régio de D. João I, ordenou que daí em diante se passasse a usar o ano do nascimento de Cristo como ano do começo ou referência, substituindo assim a era de César (Cristo nasceu no ano 38 (?) da Era de César). Assim, o dia a seguir ao decreto régio, deixaria de ser o: 

16 de Agosto de 1460 da Era Juliana para ser o 

16 de Agosto de 1422 da Era de Cristo.

O comércio prosperou e o casamento de Isabel, filha de João I, com Filipe o Bom de Borgonha foi seguido pelo crescimento das estreitas relações comerciais com o seu condado da Flandres. Com a conclusão da paz com Castela, João I necessitou de uma saída para entreter os seus homens de armas e os seus próprios filhos e organiza a conquista de Ceuta (1415), a partir da qual começa a grande era das expansão dos Portugueses.

Arranjaram tréguas com Castela em 1387, mas a paz só foi finalmente concluída em 1411. A vitória de João de Avis pode ser vista como uma vitória do espírito nacional contra a ligação feudal da ordem estabelecida. Como muita da antiga nobreza tinha aderido a Castela, João I recompensou os seus seguidores à custa daquela e não da coroa.


A Conquista de Ceuta (1415)

Resumo A 25 de Julho de 1415, sob o comando do Rei D. João I, largaram de Lisboa, em direcção ao Norte de África, 242 navios, alguns armados de guerra e galés, nos quais seguiam D. Henrique, D. Pedro e D. Duarte.

A 21 de Agosto de 1415, os botes dos navios do Infante D. Henrique começaram a despejar gente na praia. Depois de um pequeno ataque, cheios pânico, os Mouros recolheram-se espavoridos às portas da cidade, e 500 dos Portugueses, que correram logo sobre eles, entraram também de roldão, sendo depois auxiliados pelos infantes D. Henrique e D. Duarte com mais forças. Também o Rei ao tomar conhecimento da situação, foi em auxílio com as suas tropas.

Conquista de Ceuta - 1415
Ao anoitecer, os Mouros, sem comando, batidos por toda a parte, abandonaram a luta, sem tentar sequer defender a cidade, que não tardou em cair nas mãos dos Portugueses.

A manhã de 22 veio encontrar os vencedores ainda no auge da colheita e na surpresa de uma fácil vitória. Depois procedeu-se solenemente à sagração da mesquita e à cerimónia de armar cavaleiros os três infantes e muitos fidalgos moços que valorosamente haviam recebido o baptismo dos combates.
A Figura de D. João I (História de Portugal de Oliveira Marques)

Filho bastardo de D. Pedro I e de uma dama galega de nome Teresa Lourenço, D. João I nasceu em Lisboa aos 11 de Abril de 1357. Casa-se em Fevereiro de 1387, na cidade do Porto, com D. Filipa de Lencastre filha de Jonh of Gaunt, Duque de Lencastre. D. João I foi de facto um Rei de Boa Memória. Foi pai, foi avô e deixou a filhos e filhas, assim como aos netos, casa opulenta. A mulher satisfê-lo ao ponto de não se lhe registarem aventuras galantes para lá do matrimónio.

Casamento de D. João I na Sé do Porto
Vivendo numa época europeia turbulenta e devassa, plena de mortandades políticas e questões sangrentas entre familiares, oscilando entre o misticismo mais exagerado e o prazer mais desregrado, coeva da Guerra dos Cem Anos e dos desmandos das Duas Rosas, este rei pôde deixar de si Boa Memória e, sendo um homem, conseguiu realizar a divisa " Por Bem".

( Condensado de História de Portugal de A.H. de Oliveira Marques )


Serviços de Informações - Espionagem

D. João I iria servir-se de um verdadeiro serviço de informações, apoiado por um serviço de ligações dirigido por Martim Afonso de Melo, guerreiro da linhagem dos Fialhos, que prestou serviço nos quartéis-generais de Abrantes e de Estremoz.

A dado passo, D. João I chegou mesmo a enviar um emissário ao rei de Castela, que, sob o pretexto de parlamentar com o monarca, devia, nas palavras de Fernão Lopes, ir "guardando bem que gentes eram e como corrigidas e toda a sua ordenança".

"espião" escolhido foi o escudeiro Gonçalo Annes Peixoto, que contactou as tropas inimigas em Pombal. Este amplo trabalho de informações culminou na vitória portuguesa em Aljubarrota (1385). 

Mais tarde, D. João I iria servir-se de um verdadeiro serviço de informações, apoiado por um serviço de ligações dirigido por Martim Afonso de Melo, guerreiro da linhagem dos Fialhos, que prestou serviço nos quartéis-generais de Abrantes e de Estremoz. 

Também a conquista de Ceuta foi precedida de uma intensa actividade de informações. Por um lado, enviaram-se agentes a Ceuta, para averiguarem as possibilidades de êxito da empresa. 

Assim, o rei mandou Álvaro Gonçalves Camelo, prior do Hospital, e o capitão Afonso Furtado ao reino da Sicília, com a missão de passarem para o norte de África. 

Por outro lado, desenvolveu-se um vasto trabalho de contra-informação e de encobrimento, dizendo-se, por exemplo, que Portugal se preparava para atacar a Holanda como represália por actos de pirataria ou que pretendia ajudar Henrique IVde Inglaterra contra Carlos VI de França, na região da Normandia.
Ínclita Geração



Esta designação foi cunhada por Camões, em Os Lusíadas (Canto IV, estância 50), ao referir-se aos descendentes do rei D. João I e de D. Filipa de Lencastre:

"Mas, pera defensão dos Lusitanos,
Deixou, quem o levou, quem governasse
E aumentasse a terra mais que dantes:
Ínclita geração, altos Infantes."
Tal deve-se ao facto de os filhos de D. João I e D. Filipa de Lencastre - os que chegaram à idade adulta, pois os dois primeiros filhos morreram ainda crianças - terem sobressaído pelo seu elevado grau de educação, valor militar, grande sabedoria e predominância na vida pública portuguesa.

Fazem parte da Ínclita Geração. D. Duarte, que foi rei; o Infante D. Pedro, senhor de grande cultura e muito viajado, conhecido como o "Príncipe das Sete Partidas"; o Infante D. Henrique, promotor e impulsionador da gesta dos Descobrimentos marítimos; D. Isabel, mais tarde duquesa de Borgonha, sábia administradora do território governado pelo seu marido, Filipe, o Bom; o Infante D. João, designado em 1418, mestre da Ordem de Santiago de Espada; e o Infante D. Fernando, conhecido como o "Infante Santo", que morreu, em Fez, sacrificado aos interesses da pátria.

O Infante Don Pedro (Lisboa 1392-1449): 

Segundo filho de D. João I e de Filipa de Lancaster. Nasce em 9 de Janeiro de 1392. Durante a sua infância recebe uma cuidada educação e, desde 1408, acumula umimportante património. João I l e dá-lhe a vila de Penela, os realengos de Campores eRabaçal, o Castelo da Lousã, os Paços de Tentúgal e muitos outros senhorios. 

D. Pedro era neto de John of Gaunt, 1º Duque de Lencastre e bisneto de Eduardo III, rei de Inglaterra.

As Sete Partidas Do Mundo

O Infante D. Pedro assenta arraiais no ontem que perdura enquanto pressente o amanhã que tarda, terreno movediço, vacilações. Teme perder o equilíbrio, lusco-fusco das transições. Gostaria de saber e sentir o que se passa no resto do mundo e decide viajar. Não só para visitar e conhecer as principais Cortes da Europa mas também a Terra Santa e, se possível, o Reino do Preste João

Com a anuência do pai e os bolsos recheados de dinheiro e cartas de crédito sobre banqueiros italianos, resolve partir de Portugal. Convida o seu irmão D. Henrique a acompanhá-lo. Mas este já está empenhado nas navegações ao longo da costa de África e pede escusas. Pede também que D. Pedro lhe recolha cartas de marear e narrativas de viagem de mercadores genoveses e venezianos e ainda que obtenha o máximo de informações sobre o Preste João das Índias.

Em 1418 o Infante D. Pedro larga de Lisboa acompanhado por numeroso séquito, cavaleiro andante. Quem fica a administrar as suas terras é o seu irmão mais novo, Infante D. Fernando. Apesar de ter apenas 16 anos, é varão ajuizado. A paz já está firmada entre Portugal e Castela e em Valhadolid encontra-se com o rei de Castela (afinal seu primo), o qual lhe cede alguns intérpretes de línguas orientais.

De Espanha ruma para a Hungria, onde o imperador Segismundo o acolhe calorosamente. Por ele, bate-se contra oshereges hussitas da Boémia e, durante cinco anos, envolve-se em batalhas na Alemanha. Recebe do imperador o feudo de Treviso.

Em 1424 deixa Álvaro Gonçalves de Ataíde como governador de Treviso e dirige-se para Chipre e desta ilha para aTerra Santa, recapitulando o itinerário dos antigos cruzados. Em Roma é recebido pessoalmente pelo papa Martín V. Estando em Flandres, escreve a seu irmão D. Duarte uma carta na que o aconselha sobre o bom governo do seu reino. 

Na ilha de Patmos é recebido faustosamente por Amurat II, Sultão da Turquia. Pressente que a expansão otomana irá converter-se num grave problema para toda a Europa. Parte para Constantinopla e dali navega até ao norte de África, Alexandria e Cairo. Visita a Palestina e a Terra Santa. Regressa ao Cairo e em 1425 embarca para o sul da Europa.

Alcança Paris donde passa para a Corte da Dinamarca e daqui para a Inglaterra onde o seu tio Henrique IV, irmão de D. Filipa de Lencastre, o investe como Cavaleiro da Ordem da Jarreteira.

Segue para Ostende, na Flandres, onde combina o casamento da sua irmã Isabel com Filipe, o Bom. Demora-se dois anos na Corte flamenga. Exerce influências para intensificar o comércio luso-flamengo. É de Bruges que, em 1427, escreve a D. Duarte, seu irmão, carta que há-de ficar famosa. 

Em 1428 retorna à Hungria e daqui, como duque de Treviso, segue para Veneza, onde o doge o recebe com múltiplas dádivas, entre as quais um exemplar do Livro de Marco Polo que entregará mais tarde ao Infante D. Henrique. Ainda em Veneza compra um mapa-múndi com o traçado das vias comerciais entre o Oriente e a cristandade. Mapa-múndi que também oferecerá a seu irmão Henrique.

Na imagem - O Painel dos Cavaleiros, no políptico de S. Vicente, que se pensa representar os quatro filhos mais novos de D. João I; de verde, D. Pedro, com o cinto da Jarreteira cruzado no peito.

De Veneza avança para Roma onde é recebido pelo Papa Martinho V.

Retorna à Península Ibérica. Combina o casamento de D. Duarte com D. Leonor, irmã do rei de Navarra. Também combina o seu próprio noivado com D. Isabel, filha dos condes de Urgel, Catalunha.

Por Valhadolid, Zamora e Salamanca ruma para a Guarda. Chega a Coimbra em 19 de Setembro de 1428, mesmo a tempo de assistir ao casamento de D. Duarte com D. Leonor de Aragão.Dez anos demorou a viagem do Infante D. Pedro pelas “Sete Partidas do Mundo”. Muito viu e assimilou, muito sabe.

D. Pedro frisa que mais fortes são as nações que se impõem pela cultura e prestígio dos seus colégios e universidades e aponta como modelo as de Paris e Oxford. Também demonstra ter ideias muito claras sobre política financeira e social, eclesiástica, militar e judicial. Exige que se calem os interesses privados quando está em jogo o bem geral do país.Mas uma coisa é opinar como exercer o poder, outra será exercê-lo entre o ontem que perdura e o amanhã que tarda, vacilações que já veremos...

Derrota de Tânger - O Infante D. Fernando (1402-1443)

O Beato Fernando de Portugal, dito o Infante Santo (Santarém, 29 de Setembro de 1402 –Fez, 5 de Junho de 1443 ) era o oitavo filho do rei João I de Portugal e de sua mulher Filipa de Lencastre, o mais novo dos membros da Ínclita Geração.

Cedo se mostrou interessado na questão religiosa e, ainda muito jovem, foi ordenado 2º Administrador da Ordem de Avispor seu pai, que o fizera também 1º Senhor de Salvaterra de Magos e de Atouguia da Baleia.

Por ser o irmão mais novo, não teve acesso, como os mais velhos, a tantas riquezas, e intenta pôr-se ao serviço do Papa, do Imperador, ou de outro soberano europeu para ganhar prestígio e prebendas. O próprio Papa Eugénio IV chegou a oferecer-lhe, em 1434 o título de cardeal que recusou2 . Por incentivo dos irmãos mais velhos acaba por desistir, virando as suas atenções para a luta da cruzada em Marrocos, da qual lhe poderia vir imensa boa fortuna.
D. Fernando
Assim, em 1437 participa numa expedição militar ao Norte de África, comandada pelo irmão mais velho o Infante D. Henrique, mas com o voto desfavorável dos outros infantes, Pedro, Duque de Coimbra e João, Infante de Portugal e do próprio Rei D. Duarte que, vítima de estranhos pressentimentos, só muito a contragosto consentiu na partida da expedição.

O Rei terá entregue ao Infante D. Henrique uma carta com algumas recomendações úteis, que foram por algum motivo ignoradas. A campanha revelou-se um desastre e, para evitar a chacina total dos portugueses, estabeleceu-se uma rendição pela qual as forças portuguesas se retiram, deixando o infante como penhor da devolução de Ceuta ( conquistada pelos portugueses em 1415). No entanto, o Infante pareceu ter pressentido o seu destino, pois ao despedir-se do seu irmão D. Henrique, lhe terá dito

"Rogai por mim a El-Rei, que é a última vez que nos veremos!"

A divisão na metrópole entre os apoiantes da entrega imediata de Ceuta, ou a sua manutenção, conseguindo por outras vias (diplomática ou bélica), o resgate do infante, foi coeva da morte de D. Duarte (que morreu vítima da epidemia de peste que contaminou o Reino e ao que parece, de desgosto pelo fracasso da expedição a Tânger e do cativeiro de D. Fernando), o que impediu um desfecho favorável à situação.

Fernando foi entretanto levado para Fez, sendo tratado ora com todas as honras, ora como um prisioneiro de baixa condição (sobretudo depois de uma tentativa de evasão gorada, patrocinada por Portugal). Daí escreve ao seu irmão D. Pedro, então regente do reino, um apelo, pedindo a sua libertação a troco de Ceuta.

Mas a divisão verificada na Corte em torno deste problema delicado e diversas ocorrências ocorridas com os governadores da praça-forte levam a que D. Fernando assuma o seu cativeiro com resignação cristã e morra no cativeiro de Fez em 1443 — acabando assim o problema da devolução ou não de Ceuta por se resolver naturalmente. Pelo seu sacrifício em nome dos interesses nacionais, viria a ganhar o epíteto de Infante Santo.

D. Duarte I " O Eloquente"(1433- 1438)


D. Duarte I nasceu em Viseu a 31 de Outubro de 1391, filho de João I e de Filipa de Lencastre. Casou com D. Leonor de Aragão. Morreu em Tomar a 9 de Setembro de 1438.

Durante o curto reinado do seu filho mais velho Duarte I, este tentou sem sucesso a conquistar Tanger mandando aí o terceiro filho de João I, o príncipe Henrique o Navegador, e o seu irmão mais novo Fernando, mas a expedição falhou, e Fernando foi capturado pelos Mouros e aí morreu(1443).

Depois da morte de D. Duarte e até à maioridade de D. Afonso V, foram regentes D. Leonor de Aragão e Pedro, Duque de Coimbra de 1438-1439. D. Pedro foi regedor de 1438-1439. O príncipe D. João foi regente e efemeramente rei, de 1476-1477.
Fernão Lopes (1380-1460)

Historiador português, o primeiro e maior dos cronistas reais portugueses e um dos melhores escritores de prosa em português do século XV. Ocupa um espaço especial na historiografia medieval portuguesa porque foi um dos primeiros a tentar chegar à verdade histórica através da evidência de documentos históricos.

Nada se sabe ao certo sobre a vida inicial de Fernão Lopes, e o seu nome é mencionado primeiramente em 1418, quando dirigiu os arquivos reais por largo tempo. Em 1434 o Rei D. Duarte pediu a Fernão Lopes para escrever as crónicas de Portugal desde as origens da monarquia até aos tempos de D. João I.
Fernão Lopes
O novo cronista preparou-se para esta tarefa estudando os arquivos reais e viajando pelo reino examinando os arquivos monásticos e outros, observando epitáfios e familiarizando-se com a topografia de cidades e campos de batalha. Quando se retirou em 1454, tinha completado a sua história de Portugal até 1459.

Todas as suas crónicas até à morte de D. Afonso IV ( 1357 ) desapareceram até ao século XVI quando foram utilizadas por Rui de Pina, que fez uma transcrição incompleta das suas obras. Permaneceram intactas a Crónica de D. Pedro I, uma crónica mais elaborada Crónica de D. Fernando, e uma massiva Crónica de D. João I, que ainda que incompleta, tem cerca de 400 capítulos. Esta última foi o primeiro trabalho de Lopes a ser impresso em 1644. 

Como muito dos documentos em que Fernão Lopes se baseou para escrever as crónicas já desapareceram, o valor dos seus trabalhos é importante para o estudo da História medieval portuguesa. Fernão Lopes escreveu numa prosa rica, ligeiramente arcaica, com um distinto gosto popular, numa linguagem fluente , e o seu estilo foi característico do período em que viveu. 

Condensado da Enciclopédia Britânica

Arquitetura Gótica em Portugal

A arquitetura gótica foi o estilo predominante em Portugal nos últimos séculos da Idade Média. Como em outras regiões europeias, em território português o gótico substituiu lentamente a arquitetura românica entre os séculos XII e XIII. No século XVI, o gótico foi substituído pela arquitetura renascentista através de um estilo intermediário tipicamente português, o manuelino.

A arquitetura gótica foi introduzida em Portugal pela Ordem de Cister. O primeiro edifício totalmente gótico levantado em território português foi a igreja do Mosteiro de Alcobaça, um exemplo do estilo limpo e simples dos cistercienses. A igreja foi construída entre 1178 e 1252 em três fases, aparentemente inspirada na Abadia de Claraval, na Champanha. Suas três naves são estreitas e muito altas, o que lhes dá o sentido de verticalidade típico do gótico. 

O edifício é coberto por abóbada de nervuras de pedra e a capela-mor possui um deambulatório com uma série de capelas radiantes. O tecto do deambulatório é suportado por arcobotantes, uma característica típica do gótico que foi uma novidade em Portugal à época.


No início do século XV, a construção do Mosteiro da Batalha, impulsada por D. João I, renovou o gótico português. Inicialmente as obras foram encarregadas ao mestre Afonso Domingues, que começou a construção da igreja e claustro com um projeto inspirado tanto na arquitetura mendicante tradicional como na ábside da Sé de Lisboa e coro-alto da igreja franciscana de Santarém.

 Após 1402 as obras foram confiadas a Mestre Huguet, que introduziu o vocabulário do gótico flamejante ao trabalho preexistente de Afonso Domingues. Huguet é de origem desconhecida, mas sua obra na Batalha aparenta filiação estilística com monumentos do antigo Reino de Aragão.

(Leia-se a "A Abóboda" de Alexandre Herculano )

O Infante D. Henrique o Navegador

O terceiro filho de João I e Filipa de Lencastre, mais conhecido impropriamente como " Navegador" (ele pessoalmente nunca passou de Tanger), chamava-se Henrique e foi mestre da Ordem de Cristo (1420), que o rei Dinis I tinha fundado (1319). Os fundos da ordem eram usados para atrair geógrafos e navegadores preparados e simultaneamente equipar uma série de expedições que gradualmente, começaram a colher frutos.

A data da primeira expedição do príncipe não é conhecida exactamente, mas parece ter sido cerca de 1418, quando a ilha de Porto Santo foi visitada. O primeiro contacto com a Madeira data provavelmente de 1419. Fez-se uma tentativa de povoar as Canárias, sem êxito, e entre 1427 e 1431 os marinheiros portugueses visitaram os Açores.

Mas os Açores e a Madeira eram desabitados, e a sua colonização procedeu-se rapidamente cerca de 1445. O açúcar aí produzido era exportado para a Europa e dava às ilhas uma grande importância económica. 

Ao mesmo tempo os barcos do príncipe Henrique estavam reconhecendo a costa Africana, passando o Cabo Bojador em 1434 e o Rio de Ouro em 1436. A infeliz expedição contra Tanger (1437) foi seguida afinal seguida por um arranque das descobertas.

Em 1439 o Príncipe Henrique foi autorizado a colonizar os Açores; e desde 1440 que as expedições que se seguiram foram equipadas com um novo e ligeiro navio, a caravela, atingiram a baía de Arguin (1443), Cabo Verde (1444), e à morte de Henrique (1460) tinham explorado toda a costa sul até à Serra Leoa. Sob o reinado de Afonso V, fizeram-se três expedições contra Marrocos (1458, 1463 e 1471); na última delas, Tanger e Arzila foram capturadas.
O terceiro filho de João I e Filipa de Lencastre, mais conhecido impropriamente como" Navegador" (ele pessoalmente nunca passou de Tanger), chamava-se Henrique e foi mestre da Ordem de Cristo (1420), que o rei Dinis I tinha fundado (1319). Nasceu no Porto em 4 de Março de 1394 e morreu em Sagres em 13 de Novembro de 1460. Os fundos da ordem eram usados para atrair geógrafos e navegadores preparados e simultaneamente equipar uma série de expedições que gradualmente, começaram a colher frutos. 

O seu impacto na História Universal foi imenso. A "Escola de Sagres" conseguiu numerosos e significativos avances técnicos e científicos para as artes da navegação. Os descobrimentos impulsionados pelo infante foram a base para o posterior desenvolvimento do Império Colonial Português.

A data da primeira expedição do príncipe não é conhecida exactamente, mas parece ter sido cerca de 1418, quando a ilha de Porto Santo foi visitada. O primeiro contacto com a Madeira data provavelmente de1419. Fez-se uma tentativa de povoar as Canárias, sem êxito, e entre 1427 e 1431 os marinheiros portugueses visitaram os Açores.

A Escola de Sagres ( Verdade ou Mito ?)

A Escola de Sagres constitui um dos grandes mistérios da história portuguesa, resultante de deficientes interpretações de crónicas antigas. Com base no pressuposto de que o infante D. Henrique convidou um cartógrafo catalão para se colocar ao seu serviço, muitos consideraram (a partir logo doséculo XVI, com Damião de Góis), que teria havido uma escola náutica em Sagres, fundada pelo Infante D. Henrique, por volta de 1417, no Algarve. A escola, centro da arte náutica, teria assim formado grandes descobridores, como Vasco da Gama e Cristóvão Colombo.

Fortaleza de Sagres . Rosa dos Ventos
Após o seu regresso de Ceuta, o Infante D. Henrique fixa-se em Sagres, na Vila do Infante, rodeia-se de mestres nas artes e ciências ligadas à navegação e cria uma Tercena Naval (tercena era um armazém de galés) (do árabe "dar as-sina'ah") a que é comum chamar-se Escola de Sagres. 

De facto, o que se criou não foi uma escola no moderno conceito da palavra, mas um local de reunião de mareantes e cientistas onde, aproveitando a ciência dos doutores e a prática de hábeis marinheiros, se desenvolveram novos métodos de navegar, desenharam cartas e adaptaram navios.

De acordo com os cronistas da época, largavam todos os anos dois ou três navios para as descobertas. O primeiro a mencionar a existência de uma escola foi o historiador inglês Samuel Purchas no século XVII, embora já antes Damião de Góis aludisse à ideia de uma Escola patrocinada pelo Infante. A história foi depois consolidada por historiadores portugueses e ingleses.

Nota - Não é preciso muita inteligência e muita imaginação para intuir que tinha que haver um local, um sítio, onde todos aqueles entendidos nos assuntos de navegação, se reunissem, estudassem e planejassem todas as técnicas náuticas que foram necessárias aos Descobrimentos. Acreditar numa "escola" tipo Escola de Sagres é lógico e elementar, e pensar que os "Descobrimentos" foram obra de um acaso, não pensado, estudado e bem planeado, é ilógico e até parece um pouco absurdo. 

Gil Eanes e Bartolomeu Dias

Os Açores e a Madeira eram desabitados, e a sua colonização procedeu-se rapidamente cerca de 1445. O açúcar aí produzido era exportado para a Europa e dava às ilhas uma grande importância económica. Ao mesmo tempo os barcos do príncipe Henrique estavam reconhecendo a costa Africana, Gil Eanes passou o Cabo Bojador em 1434 e o Rio de Ouro em 1436. 

A infeliz expedição contra Tanger (1437) foi seguida afinal seguida por um arranque das descobertas. Em 1439 o Príncipe Henrique foi autorizado a colonizar os Açores; e desde 1440 que as expedições que se seguiramforam equipadas com um novo e ligeiro navio, a caravela, atingiram a baía de Arguin (1443), Cabo Verde (1444), e à morte de Henrique (1460) tinham explorado toda a costa sul até à Serra Leoa. 

Sob o reinado de Afonso V, fizeram-setrês expedições contra Marrocos (1458, 1463 e 1471); na última delas, Tanger e Arzila foram capturadas. 

As explorações africanas não foram inteiramente abandonadas, mas fica para João II, com o seu sentido agudo do interesse nacional, fundar uma fortaleza e feitoria de comércio no Golfo da Guiné em Elmina (São João da Mina, 1481-82). Diogo Cão descobriu a foz do rio Congo em 1482 e avançou até Cape Cross, duzentas léguas para sul (1486). 

Um monarca nativo, o Manikongo, converteu-se e aliou-se com os Portugueses; o seu primeiro rei Cristão Afonso I(aprox. 1506-43), tornou Mabnza centro de influência Portuguesa, mas o reino do Kongo entrou em disputa interna e os interesses portugueses foram transferidos para o reino de Angola. 

Paulo Dias de Novais fundou Luanda, a primeira cidade da África ocidental ao sul do Equador, em 1576. Em 1488, Bartolomeu Dias passou o Cabo da Boa Esperança chegando à costa oriental de África, e o caminho para as Índias estava aberto. O seu regresso foi seguido das notícias (1493) de que Cristóvão Colombo tinha, pensava ele, chegado às Índias através do Atlântico. Mas as suas notícias não perturbaram os portugueses, pois Colombo não trazia novas das especiarias ou cidades do Oriente. 


Viagem de Bartolomeu Dias
D.João II ordenou que preparassem uma expedição à índia pelo caminho do Cabo da Boa Esperança, que só saiu depois da sua morte. João II também contestou as reclamações de Castela sobre todas as terras descobertas ao oeste do Atlântico, e pelo Tratado de Tordesillas (7 de Junho de 1494), os direitos de Espanha foram reconhecidos só para os territórios que estivessem para lá de 370 milhas a oeste das ilhas de Cabo Verde. Assim o território do Brasil foi reservado para Portugal.

Henrique e a Ciência Náutica Portuguesa

As sucessivas navegações e a experiência acumulada dos pilotos levaram a uma evolução bastante rápida da ciência náutica portuguesa, tendo a investigação criado uma elite de astrónomos, navegadores, matemáticos e cartógrafos, entre os quais se destacaram Pedro Nunes com os estudos sobre a forma de determinar as latitudes por meio dos astros e D. João de Castro. 

Navios

Até ao século XV os portugueses praticavam a navegação de cabotagem utilizando a barca e o barinel, embarcações pequenas e frágeis de um mastro com vela quadrangular fixa, usadas nas primeiras viagens às ilhas Canárias, Madeira e Açores, e no litoral africano até Arguim, na actual Mauritânia. Mas que não conseguiam dar resposta às dificuldades no avanço para Sul, como os baixios, os ventos fortes e as correntes marítimas desfavoráveis, sendo substituídas pelas caravelas.

A caravela foi o navio que marcou os descobrimentos portugueses, resultando do aperfeicoamento de embarcações já usadas na faina da pesca. Era e ágil e de navegação mais fácil, com uma tonelagem entre 50 a 160 toneladas e 1 a 3 mastros com velas latinas triangulares que permitiam bolinar. A pouca capacidade de carga e tripulação eram os seus principais inconvenientes, mas que não obstaram ao seu sucesso. Entre as caravelas famosas estão a Bérrio e a Caravela Anunciação.


Com a passagem das navegações costeiras às oceânicas também as naus se desenvolveram de forma assinalável em Portugal. "Nau" era o sinónimo arcaico de navio de grande porte, destinado essencialmente a transportar mercadorias. Devido à pirataria que assolava a costa, passaram a ser utilizadas na marinha de guerra.
Foram introduzidas as bocas-de-fogo, que levaram à classificação das naus segundo o poder de artilharia. À medida que se foi desenvolvendo o comércio marítimo, foram sendo modificadas as suas características. A capacidade aumentou das duzentas toneladas no século XV até às quinhentas.

As naus eram imponentes e tinham, em geral, duas cobertas, castelos de proa e de popa, dois a quatro mastros e velas sobrepostas. Na carreira da Índia no século XVI foram também usadas as carracas, naus de velas redondas e borda alta com três mastros que atingiam 2000 toneladas.

Balestilha

A balestilha é um instrumento complementar da esfera armilar, formado por "virote" e "soalha", utilizado para medir a altura em graus que une o horizonte ao astro e dessa forma determinar os azimutes, antes e depois de sua passagem meridiana.

Foi bastante utilizado pelos Portugueses na Época dos Descobrimentos. A versão do instrumento na imagem é própria para ser usada em alto mar, através de observações da altura do Sol na identificação da latitude do navio. 

A origem do seu nome remonta ou de “balhestra”, que significa besta, a arma medieval, ou, mais provavelmente, do árabe “balisti”, que significa altura , nesse caso a vertical do astro.
Terá sido o primeiro instrumento desta época para trazer o astro ao horizonte do mar, mesmo tendo aparecido depois do astrolábio e do quadrante.2 Ha sido dos instrumentos mais utilizados durante os descobrimentos; crê-se que tenha sido inventado pelos portugueses (mais foram => Jacob ben Machir ibn Tibbon/Levi Ben Gerson).
A balestilha também é referida como "Báculo de Jacob"
Construção

É basicamente constituída por uma régua de madeira ("virote") na qual se coloca a "soalha" que corre na perpendicular em relação ao virote. A leitura do ponto onde se encontrava o astro era feita no ponto da escala gravada no virote onde a soalha se encontrava.
Utilização

Para medir a altura de uma estrela, que não o Sol, coloca-se o olho na extremidade do virote e desloca-se a soalha de modo que a aresta superior coincida com a estrela e a inferior com o horizonte. 

A altura da estrela é dada pela leitura do número que se encontra inscrito no ponto do virote onde fica a soalha.

Para saber a altura do sol, a acção não decorria virada de frente para o astro, mas sim de costas para este, para que a vista não fosse danificada pela intensidade da luz do sol o que limitava o seu uso em terra ou quando o sol encontrava-se perto do horizonte.
Astrolábio
O astrolábio é um instrumento naval antigo, usado para medir a altura dos astros acima do horizonte.

Convenciona-se dizer que o surgimento do astrolábio é o resultado prático de várias teorias matemáticas,1 desenvolvidas por célebres estudiosos antigos: Euclides, Ptolomeu, Hiparco de Nicéia e Hipátia de Alexandria.

Era usado para determinar a posição dos astros no céu e foi por muito tempo utilizado como instrumento para a navegação marítima com base na determinação da posição das estrelas no céu. Mais tarde foi simplificado e substituído pelo sextante (instrumento astronômico usado para determinar a latitude).

Astrolábio persa sec. XVIII
Também era utilizado para resolver problemas geométricos, como calcular a altura de um edifício ou a profundidade de um poço. Era formado por um disco de latão graduado na sua borda, num anel de suspensão e numa mediclina (espécie de ponteiro). O astrolábio náutico era uma versão simplificada do tradicional e tinha a possibilidade apenas de medir a altura dos astros para ajudar na localização em alto mar.

Não existem vantagens nem desvantagens entre os instrumentos antigos de navegação; de certa forma são instrumentos perfeitos que atendem suas funções para onde foram projetados, nesse sentido a função do astrolábio é uma e o quadrante é outra. A única diferença (interpretada como vantagem) é o fato de ser um instrumento terrestre, portanto fixo ao solo, para se usar numa ilha ou num continente e mirar uma determinada estrela próxima ao pólo Estrela Polar e o outro um instrumento de bordo, portátil, mais pesado e proprio para medir a passagem meridiana com a sombra do sol. 

Sob a precisão, ambos funcionavam bem tanto no hemisfério sul como no hemisfério norte mas principalmente o astrolábio pelo seu peso era capaz de permanecer na vertical apesar do balanço do navio portanto, indicado para funcionar embarcado.

O desenvolvimento do astrolábio se dá com o passar dos séculos. Os indivíduos mais influentes da teoria na qual o instrumento se baseia foram Hiparco de Niceia, que definiu a teoria das projeções e a aplicou a problemas astronômicos, e Cláudio Ptolomeu que, em seu trabalho Planisferium escreve passagens que sugerem que ele possuía um invento semelhante ao astrolábio.

Teão de Alexandria em cerca de 390 DC escreveu um tratado dedicado ao Astrolábio, o qual foi a base de muitos escritos sobre o assunto na idade média. Sua filha, (Hipátia de Alexandria), chegou a criar um astrolábio. Um de seus discipulos, Synesius de Cirene, também possuía um invento de características semelhantes. O astrolábio moderno de metal foi inventado por Abraão Zacuto em Lisboa, a partir de versões árabes pouco precisas.

O disco inicial foi parcialmente aberto para diminuir a resistência ao vento. O manejo do astrolábio exigia a participação de duas pessoas; consistia em grande círculo, por cujo interior corria uma régua; um homem suspendia o astrolábio na altura dos olhos, alinhando a régua com o sol enquanto outro lia os graus marcados no círculo.
Navegação astronómica

No século XIII era já conhecida a navegação astronómica através da posição solar. Para a navegação astronómica os portugueses, como outros europeus, recorriam a instrumentos de navegação árabes, como o astrolábio e o quadrante, que aligeiraram e simplificaram. Inventaram outros, como a balestilha, para obter no mar a altura do sol e outros astros, como o Cruzeiro do Sul descoberto após a chegada ao hemisfério Sul por João de Santarém e Pêro Escobar em 1471, que iniciaram a navegação guiada por esta constelação.

Tábua astronómica doAlmanach Perpetuum de Abraão Zacuto, 1496.

Mas os resultados variavam conforme longo do ano, o que obrigava a correcções. Para isso os portugueses utilizaram tabelas de inclinação do Sol, as Tábuas astronómicas, preciosos instrumentos de navegação em alto-mar, que conheceram uma notável difusão no século XV.

Quando se introduziram na náutica as observações astronómicas que a revolucionaram, em particular a observação de altura meridiana do Sol para com o conhecimento da declinação solar, se poder calcular a latitude do lugar, recorreu-se às tábuas Almanach Perpetuum, do astrónomo Abraão Zacuto, publicadas em Leiria em 1496, que foram utilizadas, juntamente com o seu astrolábio melhorado, por Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.
Técnicas de navegação

Mapa mostrando a localização das principais correntes e ventos oceânicos giratórios

Além da exploração do litoral foram feitas também viagens para o mar largo em busca de informações meteorológicas e oceanográficas (foi nestes trajectos que se descobriram os arquipélagos da Madeira e dos Açores, o Mar dos Sargaços).

O conhecimento do regime de ventos e correntes do Atlântico e a determinação da latitude por observações astronómicas a bordo, permitiu a descoberta da melhor rota oceânica de regresso de África: cruzando o Atlântico Central até à latitude dos Açores, aproveitando os ventos e correntes permanentes favoráveis, que giram no sentido dos ponteiros do relógio no hemisfério norte devido à circulação atmosférica e ao efeito de Coriolis, facilitando o rumo directo para Lisboa e possibilitando assim que os portugueses se aventurassem cada vez para mais longe da costa, manobra que ficou conhecida como "volta da Mina", ou "Volta do mar".
Cartografia
A mais antiga Rosa dos ventos com Flor-de-lis da carta de marear de Pedro Reinel de 1504

Pensa-se que Jehuda Cresques, filho do cartógrafo catalão Abraão Cresques terá sido um dos notáveis cartógrafos ao serviço do Infante D. Henrique.

Contudo a mais antiga carta de marear portuguesa assinada é um portulano de Pedro Reinel de 1485 representando a Europa Ocidental e parte de África, que reflecte as explorações efectuadas pelo navegador Diogo Cão ao longo da costa africana.

Reinel foi também autor da primeira carta náutica conhecida com uma indicação de latitudes em 1504 bem como da primeira representação da rosa-dos-ventos.

Com o seu filho, Jorge Reinel e o cartógrafo Lopo Homem, participou na elaboração do atlas conhecido por Atlas de Lopo Homem-Reinés ou Atlas de Miller'', de 1519. Foram considerados dos melhores cartógrafos do seu tempo, a ponto do imperador Carlos V os desejar a trabalhar para si. Em 1517 o rei D. Manuel I de Portugal passou a Lopo Homem, cartógrafo e cosmógrafo português, um alvará que lhe dava o privilégio de fazer e emendar todas as agulhas (bússolas) dos navios.

Na terceira fase da antiga cartografia náutica portuguesa, caracterizada pelo abandono da influência de Ptolemeu na representação do Oriente e por uma melhor precisão na representação das terras e continentes, destaca-se Fernão Vaz Dourado (Goa ~1520 — ~ 1580), cuja obra apresenta extraordinária qualidade e beleza, conferindo-lhe a reputação de um dos melhores cartógrafos de seu tempo. Muitas de suas cartas são de grande escala-

Cartógrafos portugueses - Lopo Homem e Vaz Dourado

Em 1517 o rei D. Manuel I de Portugal passou a Lopo Homem, cartógrafo e cosmógrafo português, um alvará (revalidado em 1524 por D. João III) que lhe dava o privilégio de fazer e emendar todas as agulhas (bússolas) dos navios. Em caso de ser outra pessoa a efectuar estas tarefas, teria de pagar, assim como o contratador, vinte cruzados ao cartógrafo. 

Terra Brasilis de Lopo Homem
Em 1524 participou na Junta Badajoz-Elvas, estabelecida pelas Coroas de Portugal e Espanha para demarcar os limites de navegação dos dois países.1 A obra mais antiga conhecida deste cartógrafo é um planisfério, descoberto em Londres em 1930. Em Florença existe outro planisfério, datado de 1554, e na Biblioteca Nacional de Lisboa há também uma carta marítima.

Na terceira fase da antiga cartografia náutica portuguesa, caracterizada pelo abandono da influência de Ptolemeu na representação do Oriente e por uma melhor precisão na representação das terras e continentes, destaca-se Fernão Vaz Dourado (Goa ~1520 — ~ 1580), cuja obra apresenta extraordinária qualidade e beleza, conferindo-lhe a reputação de um dos melhores cartógrafos de seu tempo. 

Muitas de suas cartas manuscritas são de grande escala. São conhecidos seis atlas náuticos do período de 1568 a 1580.

Diogo Homem (~1520-1576) foi um cartógrafo português, filho de Lopo Homem e provavelmente primo de André Homem, ambos cartógrafos portugueses. A sua obra cartográfica foi produzida entre 1557 e 1576, destacando-se o chamado "Atlas de Diogo Homem", com vinte e nove páginas manuscritas em pergaminho iluminado. Dele conhecem-se numerosas cartas.

Explorações africanas

Painel do Infante D.Henrique

As explorações africanas não foram inteiramente abandonadas, mas fica para João II, com o seu sentido agudo do interesse nacional, fundar uma fortaleza e feitoria de comércio no Golfo da Guiné em Elmina (São João da Mina, 1481-82). Diogo Cão descobriu a foz do rio Congo em 1482 e avançou até Cape Cross, duzentas léguas para sul (1486).

Um monarca nativo, o Manikongo, converteu-se e aliou-se com os Portugueses; o seu primeiro rei Cristão Afonso I (aprox. 1506-43), tornou Mabnza centro de influência Portuguesa, mas o reino do Kongo entrou em disputa interna e os interesses portugueses foram transferidos para o reino de Angola.

Paulo Dias de Novais fundou Luanda, a primeira cidade da África ocidental ao sul do Equador, em 1576. Em 1488, Bartolomeu Dias passou o Cabo da Boa Esperança chegando à costa oriental de África, e o caminho para as Índias estava aberto.

O seu regresso foi seguido das notícias (1493) de que Cristóvão Colombo tinha, pensava ele, chegado às Índias através do Atlântico. Mas as suas notícias não perturbaram os portugueses, pois Colombo não trazia novas das especiarias ou cidades do Oriente.

D.João II ordenou que preparassem uma expedição à índia pelo caminho do Cabo da Boa Esperança, que só saiu depois da sua morte. 

João II também contestou as reclamações de Castela sobre todas as terras descobertas ao oeste do Atlântico, e pelo Tratado de Tordesillas (7 de Junho de 1494), os direitos de Espanha foram reconhecidos só para os territórios que estivessem para lá de 370 milhas a oeste das ilhas de Cabo Verde. 

Assim o território do Brasil foi reservado para Portugal.

D. Afonso V ( 1438 -1481 ) - "O Africano"

Com a morte de Duarte I, o seu filho Afonso V ainda era uma criança, e o seu irmão Pedro, duque de Coimbra, tomou a regência (1440) em vez de o fazer a viúva, Leonor de Aragão. Mas a regência de D. Pedro foi mais tarde desafiada pela poderosa família de Bragança, descendente de Afonso, filho ilegítimo de João de Aviz, e Beatriz, filha de Nuno Álvares Pereira.

Esta família continuou a voltar o rei contra seu tio, que foi forçado a deixar a regência, e tomar as armas, morrendo em Alfarrobeira (Maio 1449). Afonso V (1438-81) provou não ser capaz de resistir aos Braganças, que se tornaram a família mais rica e poderosa de Portugal.


Afonso V

D. Afonso V de Portugal, (Sintra, 15 de janeiro de 1432 - Sintra, 28 de agosto de 1481), foi o décimo-segundo Rei de Portugal, cognominado o Africano pelas conquistas no Norte de África. Filho do rei D. Duarte, sucedeu-lhe em 1438 com apenas seis anos. 

Por ordem paterna a regência foi atribuída a sua mãe, D. Leonor de Aragão mas passaria para o seu tio D. Pedro, Duque de Coimbra, que procurou concentrar o poder no rei em detrimento da aristocracia e concluiu uma revisão na legislação conhecida como Ordenações Afonsinas. 

Em 1448 D. Afonso V assumiu o governo, anulando os editais aprovados durante a regência. Com o apoio do tio homónimo D. Afonso I, Duque de Bragança declarou D. Pedro inimigo do reino, derrotando-o na batalha de Alfarrobeira. Concentrou-se então na expansão no norte de África, onde conquistou Alcácer Ceguer, Anafé, Arzila, Tânger e Larache. Concedeu o monopólio do comércio na Guiné a Fernão Gomes, com a condição de este explorar a costa, o que o levaria em 1471 à Mina, onde descobriu um florescente comércio de ouro cujos lucros auxiliaram o rei na conquista. 

Em 1475, na sequência de uma crise dinástica, D. Afonso V casou com a sobrinha D. Joana de Trastâmara assumindo pretensões ao trono de Castela, que invadiu. Após não obter uma clara vitória na batalha de Toro, com sintomas de depressão, D. Afonso abdicou da coroa para o filho, D. João II de Portugal, falecendo em 1481.

Judeus em Portugal

Com a Reconquista da Península Ibérica pelos cristãos, os judeus passaram a temer novamente pela sua sorte. Todavia, pelo menos em Portugal até meados do século XV, eles gozaram de relativa liberdade, embora tivessem de pagar impostos escorchantes. Obtiveram mesmo grande destaque na vida pública portuguesa, como diplomatas, conselheiros reais, administradores, médicos, matemáticos, astrônomos, comerciantes e banqueiros (embora a maior parte da população judaica fosse composta de pessoas com profissões bem mais modestas, a saber, alfaiates, sapateiros, tecelões, pastores e pequenos comerciantes). 

Tal projeção começou a gerar descontentamento entre o povo, que sentia estar "a cristandade submetida à jurisdição judaica" (conforme queixou-se um frade em carta a Dom Afonso V). Tal clima de insatisfação generalizou-se e os judeus começaram a ser vítimas de perseguições e violência por parte de populares.
Sinagoga Shaaré Tikva em Lisboa
A situação na Espanha a partir de meados do século XIV já prenunciava o destino que esperava os judeus portugueses. Em Toledo, em 1355, 12 mil judeus morreram vítimas de perseguição religiosa; o número atingiu 300 em Palma de Mallorca, em 1391. Com o início das operações da Inquisição em 1478, o temor se espalhou entre os judeus da Espanha. Temendo pela própria sorte, milhares se converteram ao catolicismo, enquanto outro tanto buscou refúgio em Portugal. O volume de refugiados aumentou dramaticamente quando em 1492 foi decretada a expulsão dos judeus da Espanha.

Esse grande contingente de fugitivos sem bens e dinheiro acirrou os ânimos dos portugueses. Além da ira popular, os imigrantes tiveram de lidar com a esperteza de Dom João II, que vislumbrou uma oportunidade de lucrar com a desgraça alheia: o rei instituiu a cobrança de dois escudos por cada imigrante, para que pudessem permanecer em Portugal por oito meses. 

Como ao fim do prazo de permanência os judeus não conseguiram sair de Portugal (não havia navios suficientes para transporta-los - ou assim foi dito), o rei ordenou que fossem vendidos como escravos. As crianças entre dois e dez anos foram tiradas de seus pais, batizadas e levadas para colonizar as ilhas de São Tomé e Príncipe (onde ainda vivem seus descendentes, os quais, como prova de extrema resistência cultural, ainda conservam alguns costumes judaicos).

A Conquista de Arzila (22 Agosto de 1471)


A 22 de Agosto de 1471, a poderosa armada portuguesa, mais de 470 velas, ancorava diante de Arzila.

No dia seguinte, o Rei mandou levantar logo acampamento e ainda nesse dia, o fogo das bombardas derrubou dois lanços de muralhas.

No dia seguinte, o alcaide Arzila mandou içar nas muralhas o sinal de rendição. Mas os Portugueses, ávidos de combate, começam a encostar as escadas às muralhas e deram o assalto geral pela brecha aberta na véspera.

Desprevenidos, aterrados, os Mouros abandonaram as muralhas, refugiando-se no castelo e na mesquita.

Antes mesmo que as escadas chegassem, os assaltantes subiram por meio das lanças, paus e cordas, travando depois com os defensores, no pátio do castelo, um combate tão feroz que todo o terraço se transformou numa vasta poça de sangue, onde os cadáveres se amontoavam.

Batalha de Toro

Este acontecimento verifica-se quando D. Joana, filha de Henrique IV de Castela, pretende assumir o trono de Castela. Em oposição a este projecto encontravam-se os Reis de Castela, Isabel e Fernando, que consideravam ilegítimos os direitos de D. Joana.

D. Afonso V, defende os direitos da sobrinha, com quem decidiu casar-se. Este casamento realizado em 30 de Abril de 1475, não teve qualquer valor, dada a inexistência da dispensa papal. 

Enquanto os Rei de Castela desencadeava os seus ataques no solo português, D. Afonso V actuava na área situada entre Zamora a Arévalo. 

O receio do Rei Português solicitou o apoio de seu filho, o Príncipe D. João, que se juntou ao pai em Toro, em 16 de Fevereiro de 1476, com importantes reforços militares. 

O encontro deu-se na veiga de Toro e enquanto as forças do Príncipe D. João alcançaram um triunfo sobre o inimigo, o mesmo não aconteceu com as do Rei D. Afonso V, que se viu obrigado a abandonar o campo de batalha e a procurar refúgio em Castro Nuño.

Duarte de Almeida - o Decepado 
Duarte de Almeida -  O Decepado

Era filho de Pedro Lourenço de Almeida. Nascido em Vila Pouca de Aguiar, foi alferes-mor de D. Afonso V de Portugal e tornou-se célebre pelo seu acto de valentia na Batalha de Toro, dada a 1 de Março de 1476.

O rei D. Afonso V apoiava o direito legitimo da sua sobrinha (e prevista esposa em segundas núpcias) ao trono castelhano, razão por que se deu a dita batalha.

Duarte de Almeida estava responsável pelo estandarte real que defendeu incansavelmente mesmo depois de lhe terem cortado as mãos, segurando-o com os braços e com os dentes até ser aprisionado pelas tropas castelhanas. 

No fim da batalha, o Alferes-mor foi tratado em Espanha e só meses depois regressou a Portugal para viver com a família no Castelo de Vilharigues herdado do pai. Duarte de Almeida, apesar de todas as referências discretas e de ser homenageado quase apenas em Espanha, é um símbolo admirável e indiscutível de patriotismo para os portugueses em particular.

D. Afonso V regressa a Portugal, após a derrota, em Junho de 1476.

Conquistas em África




Após terem tomado Constantinopla, os Turcos cercam Belgrado em 1456. O papa manda pregar uma nova cruzada contra os infiéis. Quase todos os soberanos europeus fazem orelhas moucas. Só D. Afonso V corresponde ao apelo do papa e promete ir combater os Turcos com um exército de doze mil homens, iniciando logo os preparativos.

Mas, em 1458, o papa Calisto III morre, a ameaça turca perde força, e a cruzada cai no esquecimento. As tropas que o rei português prometera conduzir aos Balcãs estão prontas para defender a Cristandade. Tinham-se feito grandes despesas e para que todo esse esforço não aparecesse como inútil, o rei resolve utilizar esses meios numa expedição ao Norte de África.


E conquista a pequena praça de Alcácer-Ceguer, no estreito de Gibraltar, em 1458. Em 1463-1464 há nova expedição a Tânger, mas que não resulta. Em 1471, Arzila é conquistada e Tânger ocupada. Nesta última campanha participa o príncipe D. João que, com 16 anos, se bate corajosamente e é armado cavaleiro. São estas expedições a África que valem o cognome de o Africano a D. Afonso V e que lhe conferem prestígio entre a nobreza europeia.

Como tinha casado com Joana, filha de Henrique IV de Castela, Afonso V reclamou o trono Castelhano e envolveu-se numa larga disputa com Fernando e Isabel, e foi derrotado na região de Zamora e Toro em 1476. Embarcou para França para pedir ajuda a Luís XI, mas não o conseguiu.



Conquistas em Átrica

No seu regresso assinou com Castela o tratado de Alcáçovas (1479), abandonando os direitos da sua esposa Joana. Afonso V nunca recuperou deste seu fracasso, e durante os seus últimos anos de vida, o seu filho João administrou o reino.

O Convento do Varatojo

Convento de Varatojo localiza-se na freguesia de São Pedro e Santiago, na cidade e concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa, em Portugal.

Foi erguido por iniciativa de Afonso V de Portugal em cumprimento de um voto formulado a Santo António de Lisboa para auxílio às armas portuguesas nas conquistas do Norte de África. Foi o próprio soberano, em Fevereiro de 1470, quem lançou a primeira pedra, com grande acompanhamento de clero, nobreza e povo. Desde o início o convento foi entregue à Ordem dos Frades Menores ou franciscanos.

Convento do Varatojo - Claustros
Após o terramoto de 1531 conheceu obras de vulto, patrocinadas pela rainha D. Catarina de Áustria, esposa de D. João III, que lhe imprimiram um cunho maneirista a que se vêm somar as campanhas barrocas e novecentistas.

Nuno Gonçalves ( 1450-72)

Pintor português reconhecido como um dos grandes mestres do século XV. Depois da descoberta em 1882 do seu único trabalho conhecido, a pintura do altar do convento de São Vicente, e depois de 400 anos de anonimato, Nuno Gonçalves foi finalmente reconhecido como o fundador da escola de pintura Portuguesa e um artista de importância Universal.




Aparentemente Gonçalves foi pintor de D. Afonso V em 1450. Francisco de Holanda nos seus"Dialogues on Ancient Painting "(1548), refere-se a Nuno Gonçalves como uma das"águias" um dos mestres do século XV -- mas o seu nome e trabalhos estavam perdidos na história.

Vasco Fernandes (1475-1542)

Vasco Fernandes (Viseu, ~1475 — ~1542), mais conhecido por Grão Vasco, é considerado o principal nome da pintura portuguesa quinhentista. Nasceu provavelmente em Viseu e exerceu sua atividade artística no Norte de Portugal na primeira metade do século XVI.
Vasco Fernandes
A primeira referência a Vasco Fernandes ocorreu em 1501, quando se iniciou a feitura do grande retráto da capela-mor da Sé de Viseu. 

Nesses anos, que duraram de 1501 a 1506, Vasco Fernandes trabalhou com o pintor flamengo Francisco Henriques, trata-se de uma obra oficinal colectiva, sendo dificil determinar com rigor o papel que Vasco Fernandes desempenhava. 

Mais tarde, entre 1506 e 1511, trabalhou em Lamego pintando o retrato da capela-mor da Sé, nesta obra toma a responsabilidade individual sendo auxiliado por entalhadores flamengos. 

Esteve depois em Coimbra (cerca de 1530), onde pintou quatro retrátos para o Mosteiro de Santa Cruz, dos quais sobrou apenas um magnífico Pentecostes na sacristia do mosteiro. 

São Pedro - Detalhe
Mais tarde instalou-se novamente em Viseu e realizou vários trabalhos, considerados as suas obras mais importantes, para a Sé e o Paço Episcopal do Fontelo, junto com o seu colaborador Gaspar Vaz.

Consolidação da monarquia.

D. João II (1481-1495)- "O Príncipe Perfeito"


João II era tão cauteloso, firme, e zeloso do poder real como o seu pai tinha sido um mãos largas e negligente. Nas primeiras Cortes do seu reinado, detalhou exactamente como os grandes vassalos lhe deviam prestar homenagem.

Nas primeiras Cortes do seu reinado, detalhou exactamente como os grandes vassalos lhe deviam prestar homenagem.

Uma suspeita de conspiração levou-o a prender Fernando II, duque de Bragança, e a maioria dos seus seguidores; o duque foi condenado à morte e executado (1484) em Évora, e o próprio João II apunhalou, Diogo duque de Viseu (1484).

Ao mesmo tempo que atacava o poder da nobreza, João II atenuava os efeitos do desfavorável tratado com Castela. Calculista e resoluto, recebeu mais tarde o cognome de "o Príncipe perfeito". 


João II morreu depois da morte do seu filho legítimo o infante D. Afonso, e assim foi sucedido por seu primo, o duque de Beja, como Manuel I (1495-1521), conhecido como "o Afortunado".



Consolidação do poder real

D. João II, consolidou o poder real. Constrói assim os alicerces de um estado moderno. E na ordem externa lança as bases de uma empresa colonial cujos frutos virão a ser colhidos nos reinados seguintes. Porém, o sonho da união dos reinos peninsulares sob uma mesma coroa, acalentado por seu pai, não o abandona completamente.

Sabe que, com propósitos semelhantes de hegemonia peninsular, aos reis de Castela e de Aragão agrada a ideia de casar a sua herdeira, a infanta Isabel, com o infante D. Afonso de Portugal. D. João II desenvolve uma estratégia conducente à realização desse casamento, que virá a verificar-se, por entre festejos de grande fausto, em Novembro de 1490.

Pouco tempo irá, no entanto, durar o sonho. Em Julho de 1491 o príncipe D. Afonso morre numa queda de cavalo, à beira-rio, perto do paço de Almeirim. Todo o projecto se desfaz. Dominado por uma profunda dor, D. João II ainda tenta legitimar em Roma, D. Jorge, um filho bastardo. Mas a oposição da rainha e as influências dos seus inimigos prevalecem. D. Manuel, duque de Beja, irmão do duque de Viseu que o rei assassinara por suas mãos, sobrinho-neto de D. Afonso V, está agora na primeira linha da sucessão.
Em demanda do Preste João

O Preste João foi um lendário soberano cristão do Oriente que detinha funções de patriarca e rei, correspondendo, na verdade, ao Imperador da Etiópia. "Preste" é uma corruptela do francês Prêtre, ou seja, padre. Diz-se que era um homem virtuoso e um governante generoso. O reino de Preste João foi objecto de uma busca que instigou a imaginação de gerações de aventureiros, mas que sempre permaneceu fora de seu alcance.

As notícias (em forma de lenda) do Preste João chegavam à Europa pela boca de embaixadores, peregrinos e mercadores, sendo depois confirmadas pelo infante D. Pedro, que viajara "pelas sete partidas do mundo", e ainda pelo seu inimigo D. Afonso, conde de Barcelos, que fizera peregrinação à Terra Santa.
O Preste João
Em 1487, D. João II envia Afonso de Paiva para investigar a localização do mítico reino (que corresponde à actual Etiópia) na tentativa de torná-lo aliado numa possível expedição para a Índia, em fase de planeamento. 

Embora tenha morrido antes de comunicar o relatório, Pêro da Covilhã — que o tinha acompanhado até se separarem e este ir fazer um reconhecimento da Índia — iria mais tarde completar a sua missão. 

Foram os relatos de Pêro da Covilhã a Francisco Álvares que permitiram saber muito da história que este último descreve no seu livro Verdadeira Informação das Terras do Preste João das Índias.

Os lusos, Pero de Covilhã e Afonso de Paiva, junto com uma soma em dinheiro levaram um planisfério para marcarem o local exato do reino misterioso. Em 7 de março de 1487 partiram. Somente Covilhã chegou ao destino. Desembarcou em Zeila, antigo porto etíope, seguindo pelo interior até Gondar. Covilhã foi recebido pelo "negus" Alexandre, Leão de Judá, "Rei dos Reis". .

Assim como Preste João, o imperador etíope governava um reino que no passado havia dominado a costa oriental da África e que, com a expansão do Islã, fora empurrado para o interior do continente e resistiram durante séculos aos ataques muçulmanos. Com a morte do "negus" Alexandre, o seu filho e sucessor, Naod, convidou Covilhã a permanecer no reino. Covilhã aceitou a proposta de receber morada e esposa etíope, com quem teve filhos. Vinte anos depois (1520), uma nova embaixada portuguesa foi enviada à Etiópia. 

Na partida, Covilhã se recusou a seguí-los e permaneceu até a morte, segundo relato de um dos integrantes dessa nova embaixada, o padre Francisco Álvares, em seu "Verdadeira informação das terras do Preste João das Índias". Foi a partir daí (século XVI) que o lendário rei deu lugar a um soberano real, aliado aos portugueses na disputa travada com os muçulmanos pelo controle das rotas comerciais do mar Vermelho.

A aliança, entretanto, era frágil. O exército do rei etíope era equipado com armas brancas. Já os muçulmanos possuiam arcabuzes e canhões fornecidos pelos turcos, que se aproximavam cada vez mais pelo mar Vermelho. Os portugueses tiveram dificuldade para barrar esse avanço.

O Plano da Índia

Apesar de ter sido muitas vezes dito que a tentativa de achamento de um caminho marítimo para a Índia faz parte dos projetos do infante D. Henrique, tudo parece indicar que o «plano da Índia»é concebido por D. João II quando, ainda príncipe, passa a ter a responsabilidade pela orientação prática das navegações.

É dele que parte a iniciativa de reconhecer as condições físicas do Atlântico Sul, de que encarrega Duarte Pacheco Pereira, e a decisão de prosseguir cada vez mais para sul as viagens ao longo da costa africana.

São também decisão sua as duas viagens de Diogo Cão, que na segunda atinge como ponto mais meridional a serra da Parda; a viagem de Bartolomeu Dias, que leva, em 1488, navios portugueses pela primeira vez ao Índico; e, também, a missão desempenhada por Pêro da Covilhã que, no Indostão, no Golfo Pérsico e na costa oriental de África, permite recolher preciosas informações de carácter económico.

Pode parecer estranho que, sabendo, já no início de 1489, da intercomunicabilidade entre os oceanos Atlântico e Índico, por informações colhidas em geógrafos árabes, não tenha decidido mandar nos anos que ainda viveu, uma armada para o comprovar.


"Uma das nações dos malditos gauleses"

Há quem acredite ter havido entre a viagem de Bartolomeu Dias e a de Vasco da Gama várias armadas «secretas». Diversas crónicas árabes, referem-se aos "desastres" portugueses antes da viagem definitiva de Vasco da Gama em 1498. 

No seu livro sobre Vasco da Gama, Geneviéve Bouchon, refere-se a essas possíveis viagens falhadas entre 1492 e 1498. Os árabes chamavam-nos "uma das nações dos malditos gauleses". Realmente para árabes e chineses, nesses tempos, todos os europeus eram " francos ".

Porém, carecendo essas teorias de prova histórica, é mais aceitável supor que, para concretização do seu plano da Índia, faltava uma peça essencial: a garantia de que o oceano Atlântico era mar «português».

E só o Tratado de Tordesilhas, em 1494, o garante. D. Manuel virá a colher os frutos e a glória do descobrimento do caminho marítimo para a Índia que o Príncipe Perfeito tão laboriosa e inteligentemente preparou. Também nisso foi venturoso.

O Tratado de Tordesilhas

Tordesilhas foi um tratado assinado por Portugal e Espanha, em 1494, com a mediação doVaticano, determinando que um meridiano do Pólo Norte ao Pólo Sul situado a 370 léguas ao Oeste das ilhas de Cabo Verde como linha divisória das terras, reservando tudo o que estivesse a Leste desse limite para os portugueses, incluindo o Brasil e a Oeste para os espanhóis.

Para a sua esquerda, era tudo de Espanha; para a direita, de Portugal. Graças à Ordem e à sua política de sigilo, os portugueses já sabiam, antes do Tratado, da existência das terras onde hoje está o Brasil que constituía a maior parte do Continente Sul-Americano e do mesmo modo assegurava a posse e o domínio de todo o Atlântico Sul e, consequentemente, deixava aberto o caminho marítimo para a Índia.



O Meridiano de Tordesilhas segundo diferentes geógrafos: Ferber (1495), Cantino (1502), Oviedo (1545), os peritos de Badajoz (1524), Ribeiro (1519), Pedro Nunes (1537), João Teixeira Albernaz, o velho (1631, 1642) e Costa Miranda (1688).
Quatro anos mais tarde Vasco da Gama chegava à Índia por mar e, em 1500, Pedro Álvares Cabral descobria o Brasil, nesse mesmo ano Gaspar Corte-Real reedita a viagem de Pedro Barcelos e João Fernandes Labrador à Terra Nova e Canadá (Terra do Labrador).

Seguramente, como refere o grande cosmógrafo Almirante Gago Coutinho, num texto de 1956, D. João II sabia já que a navegação no Atlântico Sul se fazia pela costa Americana, ou seja pela direita, enquanto no Atlântico Norte se fazia pela esquerda. 


Não foi por acaso que Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral usaram a mesma rota, após atravessarem o Equador, quando navegaram para ocidente de Cabo Verde e montaram o Cabo de S. Roque, no extremo nordeste do Brasil.

Refere, ainda, Gago Coutinho que, "Colombo, em 1498, com a probidade intelectual de um aluno da escola de Sagres descreve que, devido a ventos contrários, não conseguiu navegar para sudoeste, para as terras de "D. Juan", tendo ido parar a trezentas léguas a Poente de S. Roque, ou seja às Ilhas Trinidad". Os navegadores portugueses conheciam, certamente, já, os contornos do Continente Sul Americano à data da celebração do Tratado.

Os reis Católicos Fernando e Isabel não aceitaram, evidentemente, a posição do Rei de Portugal e, desde logo, procuram resolver o diferendo por acordo. Avança-se então para o estabelecimento da partilha do Mundo que começava a ser descoberto.

Francisco I de França e o Tratado de Tordesilhas

Não deixa de ser curioso mencionar a exclamação de Francisco I de França ao ter conhecimento da assinatura do aludido Tratado. "Ao abrigo de que cláusula do Testamento de Adão é que eu fico excluído desta partilha". A Exclusão explica-se facilmente - os franceses não sabiam navegar-

De início, os portugueses não se interessaram em ocupar as terras brasileiras. O Brasil não oferecia, com exceção do pau-brasil, nenhuma riqueza que motivasse esta ocupação. Este descaso favoreceu as incursões de franceses, que não reconheciam o Tratado de Tordesilhas. 

Nota - Parece que modernamente, o presidente francês Chirac - com a mesma dor de Francisco I - conta num livro recentemente publicado em França, que o descobrimento da América por Cristóvão Colombo, não teve nenhuma importância para a História da Humanidade, porque os vikingos de Leif Ericson já lá tinham chegado 5 séculos antes. 

Os chineses também dizem agora que o seu almirante "eunuco" Zheng He chegou à América em 1421. Até pode ser verdade, só que vikingos ou chineses não regressaram para contar o seu "descobrimento" 

A Figura de D. João II 

Filho primogénito do rei D. Afonso V e de D. Isabel, D. João II nasceu em Lisboa a 5 de Maio de 1455. Casa em 16 de Setembro de 1473 com D. Leonor ( A Fundadora das Misericórdias ).Morreu em Alvor em Outubro de 1495, no meio de pavorosa agonia, correndo vozes no tempo, do que fazem ecos os cronistas, de que a morte foi devida a peçonha misturada com a água.Foi uma das maiores figuras da nossa história, não tanto pelas qualidades pessoais, como pelos métodos de governo, sobretudo pela obra que realizou no fortalecimento do poder régio.

Morreu em Alvor em Outubro de 1495, no meio de pavorosa agonia, correndo vozes no tempo, do que fazem ecos os cronistas, de que a morte foi devida a peçonha misturada com a água.


D. João II foi uma das maiores figuras da nossa história, não tanto pelas qualidades pessoais, como pelos métodos de governo, sobretudo pela obra que realizou no fortalecimento do poder régio.

Ainda que a nobreza portuguesa chamava "Tirano" a D. João II, o melhor elogio da sua figura foi o de sua prima Isabel a Católica rainha de Espanha, que disse quando soube da sua morte : "- Murió el Hombre !"

Pela necessidade de defender os interesses do ultramar, tratou com Espanha o Tratado de Tordesilhas (1494) ao qual juntou o desejo de juntar a península sob a Casa de Avis, casando com Isabel, filha mais velha de Fernando e Isabel a Católica, que no entanto, morreu (1498) ao dar à luz o seu filho Miguel da Paz.


A Conquista do Reino de Granada (1492)

Em 1492, com a conquista do reino de Granada, a Reconquista chegava ao fim. Já os reinos da Galiza, Leão, Castela, Navarra e Aragão iniciavam uma relativa unificação ao possuir um único rei (embora mantendo a autonomia económica, administrativa e comercial), que posteriormente recebeu o nome de reino de Espanha. 

Juntamente com o reino independente de Portugal, debatiam-se estes dois Estados pelas conquistas marítimas. Ainda com o apoio da Igreja, ambos os reis estavam agora de olhos postos no Norte de África, nas praças comerciais de renome, como Ceuta e Tânger, sob o pretexto da cristianização. Caminhava-se, paralelamente, para a fase inicial dos Descobrimentos.


Granada — entrega das chaves da cidade pelo próprio rei Boabdil à rainha Isabel I de Castela.
Todos os reinos ibéricos puderam beneficiar do apoio de várias Ordens Militares, das quais se destaca a Ordem dos Templários, uma ordem de cavalaria militar e religiosa instituída com o propósito da cristianização.

Portugal, especialmente, viria a beneficiar das Cruzadas em trânsito para o Médio Oriente, tendo estas desempenhado um papel importantíssimo na tomada de algumas cidades portuguesas e subsequente expansão, bem como na fundação do próprio Reino de Portugal.

Serviços de Informações - Espionagem

"Há tempos de usar de coruja e tempos de voar como o falcão". Esta frase, atribuída a D. João II, sintetiza bem o espírito que presidiu ao reinado do Príncipe Perfeito, que envolveu a empresa dos Descobrimentos numa rigorosa política de sigilo.

Os pilotos, os mestres e os marinheiros eram expressamente proibidos de servir nações estrangeiras, prevendo-se duras penas (degredo para a ilha de Santa Helena) para quem desrespeitasse aquela proibição. Além disso, todo o material relacionado com as actividades náuticas era reservado: cartas de marear, mapas-mundi, livros de marinharia, de astrologia, de viagens ou roteiros eram considerados património secreto do Estado.

Na preparação da viagem à Índia, D. João II serviu-se de emissários encobertos, como Pero da Covilhã, e realizou diversas viagens secretas na costa oriental de África. Alguns historiadores defenderam mesmo uma tese polémica, segundo a qual Cristovão Colombo teria sido um "agente secreto" ao serviço da Coroa portuguesa.

Ao mesmo tempo, como refere Jaime Cortesão (A política de sigilo nos Descobrimentos, Lisboa, 1960), procurou arquitectar-se uma política de "mar fechado" (mare clausum) através de diversas acções:

Difusão de lendas proibitivas;

Segredo geográfico;

Organização espacial por meio de tratados e delimitação de zonas;

aplicação de sanções violentas contra os transgressores.

Em muitos casos, as lendas sobre monstros ou gigantes marinhos (como o Adamastor) serviram objectivos de contra-informação, visando afastar potenciais concorrentes dos caminhos abertos pelos portugueses. Na época dos descobrimentos, as informações tiveram especial relevância na defesa dos interesses vitais do Reino. A política de sigilo de D. João II culminou com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, em 2 de Junho de 1494.

A Queda de Constantinopla (1493)
As Rotas comerciais alternativas dos portugueses

Denomina-se queda de Constantinopla a conquista da capital bizantina pelo Império Otomano sob o comando do sultão Maomé II, na terça-feira, 29 de maio de 1453. Isto marcou não apenas a destruição final do Império Romano do Oriente, e a morte de Constantino XI Paleólogo , o último imperador bizantino, mas também a estratégica conquista crucial para o domínio otomano sobre o Mediterrâneo oriental e os Bálcãs. A cidade de Constantinopla permaneceu capital do Império Otomano até a dissolução do império em 1922, e foi oficialmente renomeada Istambul pela República da Turquia em 1930.

A queda de Constantinopla para os turcos otomanos foi um evento histórico que segundo alguns historiadores marcou o fim da Idade Média na Europa, e também decretou o fim do último vestígio do Império Bizantino.


Mehmed II com o exército otomano em marcha desde Edirne, transportando a grande bombarda
Constantinopla é o antigo nome da cidade de Istambul, na atual Turquia. O nome original era Bizâncio (do grego Bυζαντιον, transliterado em Bizâncio). O nome da cidade era uma referência ao imperador romano Constantino, que tornou esta cidade a capital do Império Romano em 11 de maio de 330.

A queda de Constantinopla teve grande impacto no Ocidente. Os cronistas da época confiavam na resistência das muralhas e achavam impossível que os turcos pudessem superá-las. Chegou-se a iniciar conversações para uma nova cruzada para liberar Constantinopla do jugo turco, mas nenhuma nação poderia ceder tropas naquele momento. Os próprios genoveses se apressaram a prestar respeitos ao sultão, e assim puderam manter seus negócios em Pera (atual Beyoğlu) por algum tempo.

A entrada de Maomé II em Constantinopla
Com Constantinopla - e todo o Bósforo, neste sentido - sob domínio muçulmano, o comércio entre Europa e Ásia declinara subitamente. 

Nem por terra nem por mar os mercadores cristãos conseguiriam passagem para as rotas que levavam à Índia e à China, de onde provinham as especiarias usadas para conservar alimentos, além de artigos de luxo, e para onde se destinavam suas mercadorias mais valiosas.

Desta forma, as nações europeias iniciaram projetos para o estabelecimento de rotas comerciais alternativas. 

Portugueses e espanhóis aproveitaram sua posição geográfica junto ao Oceano Atlântico e à África para tentar um caminho ao redor deste continente para chegar à Índia (percurso percorrido com sucesso por Vasco da Gama entre 1497 e 1498). Já Cristóvão Colombo via uma possibilidade de chegar à Ásia pelo oeste, através do Oceano. 

Nesta empreitada, financiada pelos reis de Espanha, o navegador genovês alcançou, em 1492, o continente americano, dando início ao processo de ocupação do Novo Mundo. 

Com as grandes navegações, os dois países, outrora sem muita expressão no cenário político europeu,  tornaram-se no século XVI os mais poderosos do mundo, estabelecendo uma nova ordem mundial.

Hospital Real de Todos os Santos (1492)

O Hospital Real de Todos os Santos, foi chamado também Hospital Grande, Hospital de Todos os Santos, Hospital Grande de Todos os Santos, ou Hospital Real, mas tinha ficado conhecido verdadeiramente porHospital dos Pobres . Era o hospital mais importante de Lisboa - Portugal - durante os séculos XVI, XVII e XVIII. Tinha sido construído entre 1492 e 1504.

Como não resistiu de Terramoto de 1755, que destruiu a Baixa de Lisboa, os seus serviços foram transferidos para o Hospital de São José.

Hospitais em Coimbra (1508) Évora (1515) Braga (1520)

O Rei D. João II, com a autorização papal de Sisto IV, mandou construir um hospital central para a cidade de Lisboa, numa tentativa de concentrar cuidados de saúde, assistência e caridade, à semelhança dos hospitais construídos em Coimbra (1508), Évora (1515) e Braga (1520).

O Hospital encontrava-se na zona da actual Praça da Figueira, estando a fachada e entrada principal voltados para o Rossio. O edifício de três pisos tinha uma fachada principal, de cerca de 100 metros, com arcadas, e a meio encontrava-se a Igreja do hospital, à qual se acedia por uma escadaria monumental. A entrada da Igreja, pelo que se pode ver das gravuras da época, era um magnífico exemplar do estilo Manuelino, estilo típico do reinado de D. Manuel I.

Funcionamento e Organização

O hospital tinha três pisos. No piso inferior encontravam-se quarenta camas para ambos os sexos e vários anexos do hospital, como o refeitório, forno, cozinha, secretaria e farmácia. As crianças abandonadas (os expostos) e os doentes mentais encontravam-se neste piso. Os funcionários do hospital encontravam-se alojados no piso térreo, enquanto que no primeiro andar encontravam-se as enfermarias (S. Vicente, Santa Clara e S. Cosme), que tinham acesso ao altar-mor da Igreja do hospital, permitindo aos doentes acompanhar os ritos religiosos. O hospital tinha também um vasto logradouro, claustros e um cemitério privativo.
O Rossio, numa gravura do século XVI, com o Hospital Real de Todos os Santos à direita
Os doentes eram separados em função do sexo e da patologia. Havia um serviço de urgência e uma secção privada para os doentes nobres. Para além das enfermarias, existiam também a casa das boubas; uma divisão isolada para os doentes com sífilis, que nessa altura era considerada como um castigo para os pecadores; e a casa dos doidos, onde eram tratadas as pessoas com perturbações mentais.

O hospital foi concebido, inicialmente, para albergar 250 doentes. Já no século XVI o hospital tratava cerca de três mil doentes ao ano. Mesmo com os vários incêndios que deflagraram nos hospital, este foi sendo sucessivamente ampliado e em meados do século XVIII já existiam cerca de doze enfermarias.

O hospital era gerido por um provedor da confiança do Rei, até 1530, data em que a gerência passou para os padres da Congregação de S. João Evangelista. Só a partir de 1564 é que o estabelecimento passou para a responsabilidade da Santa Casa da Misericórdiade Lisboa.

Destruição

O hospital foi destruído não só pelo terramoto de 1755, mas também pelo incêndio que se seguiu. Sobreviveram algumas partes do hospital, como se pode comprovar pelas escavações arqueológicas de 1960, na baixa. Os doentes do terramoto, devido à urgência surgida na catástrofe, em carácter provisório, foram alojados em tendas, no Rossio, palácios e conventos que não foram afectados pelo "tremor da terra". Entre eles, em destaque, muito perto de si, surge o Palácio dos Almadas. 

Houve um grande esforço para a reconstrução do hospital, ainda que a título provisório, para voltar a tratar dos doentes. O hospital, contudo, não foi reconstruído na sua totalidade, provavelmente por falta de verbas, numa altura de grande esforço financeiro. O hospital foi então transferido para o Colégio de Santo Antão, edifício confiscado a uma ordem jesuíta, em 1759. O novo hospital foi denominado de Hospital de São José, em honra ao Rei D. José I.

Agora, no local do antigo hospital, existe a Praça da Figueira.

D. Manuel I (1495-1521) "O Afortunado"

Constantes surtos de peste negra em Lisboa, capital do Reino, levaram a corte e a nobreza dos séculos XIV e XV a instalarem-se em Alcochete, nomeadamente o rei D. João I e, em meados do século XV, o seu neto infante D. Fernando, Duque de Viseu. Aí, na vila de Alcochete, nasceu em 1469 D. Manuel, filho de D. Fernando, Duque de Viseu e de Beatriz de Portugal.

Estátua deD. Manuel I
Durante a infância e a juventude, assistiu à guerra de intriga e conspiração entre a aristocracia e o seu primo direito D. João II, muito cioso do seu poder. Alguns homens do seu círculo próximo foram mortos ou exilados, incluindo o seu irmão mais velho Diogo, Duque de Viseu, assassinado pelo próprio rei. Sucedeu-lhe como 5º Duque de Viseu, 5º Senhor da Covilhã e 4º Duque de Beja, 4º Senhor de Moura. 

Portanto, quando em 1493 recebeu uma ordem real de comparência no paço, D. Manuel I deveria estar preocupado. Mas o propósito de D. João II era nomeá-lo herdeiro da coroa, depois da morte do seu filho Afonso de Portugal e das tentativas frustradas de legitimar o bastardo Jorge de Lencastre. D. Manuel I ascendeu ao trono em circunstâncias excepcionais, sucedendo João II de Portugal em 1495 de quem se tornara uma espécie de «filho adoptivo»

D. Manuel I, que assumiu o título de :" Rei de Portugal e dos Algarves e senhor da conquista, navegação, e comércio da Índia, Etiópia, Arábia e Pérsia," Herdou uma monarquia autocrática firmemente estabelecida e uma rápida expansão do império do ultramar, graças ao trabalho de João II. 

Esta criança foi reconhecida como herdeira de Portugal, Castela e Aragão mas morreu na sua infância. Manuel I casou então com a irmã de Isabel, Maria (morta em 1517) e a terceira vez com Leonor, irmã do Imperador Carlos V.

Como condição do seu casamento com Isabel, foi-lhe pedido para "purificar" Portugal dos Judeus. 

João II tinha recebido muitos refugiados judeus expulsos da Espanha (1492) cobrou-lhes pesadas taxas, mas forneceu-lhes barcos para deixarem Portugal. Como isto não se fez, Manuel I, em Outubro de 1487, ordenou aos judeus que abandonassem Portugal, num prazo máximo de 10 meses.

Quando se juntaram em Lisboa, foram feitos grandes esforços para conseguir a sua conversão com promessas e pela força. Alguns resistiram à ideia dessa conversão e foram autorizados a sair, mas os restantes foram "convertidos" com a promessa de que nenhum inquérito seria feito às suas crenças, antes de passarem 20 anos.

Como "Cristãos", não podiam ser obrigados a emigrar, e foram até proibidos de deixar Portugal. Em Abril de 1506, um grande número desses "novos Cristãos, ou marranos," foi massacrado em Lisboa durante uma desordem, mas Manuel I protegeu-os, e permitiu que emigrassem


Expulsão dos Judeus (1496)

Com a ascensão de Dom Manuel I ao trono português, em 1495, os castelhanos escravizados foram libertados. Todavia, o casamento anunciado do rei com a princesa Isabel da Espanha colocou os judeus novamente em clima de tensão. Isto porque o contrato de casamento incluía uma cláusula que exigia a expulsão dos hereges (mouros e judeus) do território português. O rei tentou fazer com que a princesa reconsiderasse (já que precisava dos capitais e do conhecimento técnico dos judeus para o seu projeto de desenvolvimento de Portugal), mas foi tudo em vão. 

Em 5 de Dezembro de 1496, Dom Manuel assinou o decreto de expulsão dos hereges, concedendo-lhes prazo até 31 de Outubro de 1497 para que deixassem o país. Aos judeus, o rei permitiu que optassem pela conversão ou desterro, esperando assim que muitos se batizassem, ainda que apenas pro forma. Os judeus, no entanto, não se deixaram convencer e a grande maioria optou por abandonar o país. O rei, ao ver cair por terra sua estratégia, mandou fechar todos os portos de Portugal - menos o porto de Lisboa - para impedir a fuga.

Foi então no porto de Lisboa que se concentraram cerca de 20 mil judeus, esperando transporte para abandonar o território português. Em abril de 1497, o rei manda sequestrar as crianças judias menores de 14 anos, para serem criadas por famílias cristãs, o que foi feito com grande violência. Em outubro de 1497, os que ainda resistiam à conversão foram arrastados à pia batismal pelo povo incitado por clérigos fanáticos e com a complacência das forças da ordem.

Foi desses batismos em massa e à força que surgiram os marranos, ou cripto-judeus, que praticavam o judaísmo em segredo embora publicamente professassem a fé católica. Os "cristãos novos" nunca foram realmente bem aceitos pela população "cristã velha", que desconfiava da sinceridade da fé dos conversos. Essa desconfiança evoluiu para a violência explícita em 1506 , quando ocorreu o Pogrom de Lisboa. A peste grassava na cidade desde janeiro, fazendo dezenas de vítimas por dia. 

Em abril, mais uma vez insuflados por clérigos fanáticos, que culpavam os "cristãos novos" pela calamidade, o populacho investiu contra eles, matando mais de dois mil deles, entre homens, mulheres e crianças.

Como isto não se fez, Manuel I, em Outubro de 1487, ordenou aos judeus que abandonassem Portugal, num prazo máximo de 10 meses. Quando se juntaram em Lisboa, foram feitos grandes esforços para conseguir a sua conversão com promessas e pela força. Alguns resistiram à ideia dessa conversão e foram autorizados a sair, mas os restantes foram "convertidos" com a promessa de que nenhum inquérito seria feito às suas crenças, antes de passarem 20 anos.

A 5 de dezembro de 1494, o rei português D. Manuel I, a fim de conseguir a mão de uma das filhas dos reis católicos espanhóis, decidiu expulsar os judeus de Portugal que não aceitaram converter-se ao Catolicismo, tendo esse povo procurado refúgio no Império Otomano, Norte e Centro da Europa, bem como no Império Russo.

Pogrom de 1506
Damião de Góis, in "Crónica de D. Manuel I", capítulo CII da Parte I.

"Nos dois derradeiros capítulos desta primeira parte, tratarei de um tumulto e levantamento que, a dezanove de Abril de 1506, Domingo de Pascoela, houve, em Lisboa, contra os Cristãos-novos.s, para fora da igreja, e mataram-no e queimaram logo o corpo no Rossio.

No mosteiro de São Domingos existe uma capela, chamada de Jesus, e nela há um Crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que deram foros de milagre, embora os que se encontravam na igreja julgassem o contrário. Destes, um Cristão-novo (julgou ver, somente), uma candeia acesa ao lado da imagem de Jesus. Ouvindo isto, alguns homens de baixa condição arrastaram-no pelos cabelo.

Ao alvoroço acudiu muito povo a quem um frade dirigiu uma pregação incitando contra os Cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro com um crucifixo nas mãos e gritando: "Heresia! Heresia!" Isto impressionou grande multidão de gente estrangeira, marinheiros de naus vindos daHolanda, Zelândia, Alemanha e outras paragens."


Ainda hoje se pode encontrar entre judeus russos apelidos como Portugal, Portugalov, Devier (de Vieira) e Dacosta (da Costa). Entre os que viveram na Rússia e fizeram brilhantes carreiras, podemos citar António Vieira, primeiro chefe da polícia de São Petersburgo; António Ribeiro Sanches, médico de vários czares russos, e João da Costa, bobo da corte de vários senhores da Rússia.

Entre os cerca de cem pessoas que tinham o título de bobo na corte russa, um descendente de marranos portugueses, João da Costa, figurava entre os mais sábios e próximos do czar Pedro I. Tratava-se de um homem extremamente culto para a época: sabia, além, do português, espanhol, italiano, francês, alemão e holandês.

Alegoria de Catarina após a vitória russa na Guerra Russo-Turca de 1768-1774.

Embora tenha vivido 26 ou 27 anos na Rússia e se ter casado com uma mulher russa, nunca aprendeu a falar a língua do seu país de acolhimento, visto que ela começava a ser pouco empregue na alta sociedade de São Petersburgo. O francês e o alemão eram as línguas dominantes entre a nobreza russa, tendo a primeira ocupado esse lugar até meados do séc. XIX.

Cristóvão Colombo descobre a América (1492)

Navegador e explorador genovês. Não se sabe a data de nascimento e até se nasceu ou não em Génova, e morreu em Valladolid em 20 de Maio de 1506. Assim, dizem que chegou a Lisboa em finais de 1476 como agente de comerciantes genoveses. Viveu dez anos em Portugal, e por cá casou, estudando tudo o que pôde sobre cartografia e navegação. Convenceu-se que seria possível atingir, cruzando o Atlântico, a Ásia pelo Ocidente. Portanto, segundo a teoria mais aceite, Colombo teria sido um tecelão de sedagenovês, um homem simples da plebe. 

Colombo
Apesar dessa origem simples, Colombo teria bons conhecimentos de várias línguas (como o latim e o hebraico), dematemática, de cosmografia, de geometria, além de conhecer todos os instrumentos de marinha e navegação, a ponto de ter sido considerado por alguns como o mais instruído homem do mar em toda a Espanha.

Casou com a filha de Bartolomeu Perestrelo, em 1455, primeiro donatário da Ilha de Porto Santo e de Isabel Moniz, chamada de Filipa Moniz, que nasceu em 1430 e faleceu em 1484-85, também referida por autores posteriores como Filipa Perestrelo, Filipa Moniz Perestrelo ou Filipa Perestrelo Moniz, Filipa, enquanto donzela, viveu retirada no Mosteiro de Santos-o-Velho. 

Teve um filho Diogo Colombo Moniz nascido em 1474, que foi 2º Almirante e Vice-rei das Índias.Viveu na Madeira alguns anos, estudando ventos, correntes e destroços de plantas, árvores e madeiras que o mar ia depositando nas costas de Porto Santo.
As suas teorias e considerações, não conseguiram o apoio de D. João II, para tentar descobrir o caminho marítimo para a Índia navegando para ocidente, pois os seus especialistas já tinham um conhecimento mais perfeito das dimensões terrestres. Assim, Colombo procurou outros apoios, e consegui-os junto de Fernando de Aragão e de Isabel a Católica e partiu de Palos, a 3 de Agosto de 1492, com três pequenos navios, o Niña, o Pinta, e o navio almirante, o Santa Maria.

Vasco da Gama (Livro de Geneviève Bouchon)

"Vasco da Gama, nasceu provavelmente em Sines, em Salas ou em alguma aldeia próxima, no final da década de 1460 - cerca de 1469.

É o terceiro filho de Estêvão da Gama, cuja família era oriunda da vila de Olivença e de Isabel Sodré, descendente do fidalgo inglês Sudley, que viera há muito a Portugal para participar nas guerras contra Castela. 

Perito em navegação, protegido por D. Jorge, filho ilegítimo de D. João II e pelo prior do Crato, D. Diogo de Almeida, Vasco da Gama é fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Santiago e presta importantes serviços a D. João II, principalmente na repressão contra corsários franceses. 

D. Manuel I, atraído por esse indómito capitão que todos diziam obstinado, " audaz na acção, severo no comando e terrível na sua cólera", nomeia-o capitão-mor da armada que irá descobrir o caminho marítimo para a Índia."

Pouco se sabe do início da vida deste navegador. Foi sugerido pelo médico e historiador português Augusto Carlos Teixeira de Aragão, que terá estudado em Évora, onde poderá ter aprendido matemática e navegação. É evidente que conhecia bem a astronomia, e é possível que tenha estudado com o astrónomo Abraão Zacuto.8

Em 1492, João II de Portugal enviou-o ao porto de Setúbal, a sul de Lisboa, e ao Algarve para capturar navios franceses em retaliação por depredações feitas em tempo de paz contra a navegação portuguesa. Uma tarefa que Vasco da Gama executou rápida e eficazmente.

Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia (1498)

O Tratado de Tordesillas confirmou os direitos de Portugal para a exploração da África e do caminho para a Índia. Em 8 de Julho de 1497 Vasco da Gama navegou com quatro navios para a primeira expedição à Índia. A armada era constituída pelas naus São Gabriel, São Rafael e Bérrio e um navio de mantimentos, comandadas respectivamente por Vasco da Gama, Paulo da Gama, Nicolau Coelho e Gonçalo Nunes. Eram pilotos, Pêro de Alenquer, João de Coimbra e Pedro Escobar.

Vasco da Gama chega à Índia

Chegou a Calicute (Kozhikode) na primavera seguinte, e os sobreviventes chegaram a Lisboa no a 12 de Julho de 1499 - a nau Bérrio com Nicolau Coelho e a 29 de Agosto de 1499 a nau São Gabriel com Vasco da Gama. A São Rafael não regressou, pois tinha sido incendiada pela tripulação por incapacidade de a manobrar, devido ao seu reduzido número. Regressaram com amostras da mercadoria Oriental. 

Uma segunda esquadra foi preparada sob o comando de Pedro Álvares Cabral, que tocou a Costa Brasileira (22 de Abril de 1500) e reclamou-a para Portugal. ( Veja Carta de Pêro Vaz de Caminha)

Um dos barcos de 
Cabral, sob o comando de Diogo Dias descobriu Madagáscar em 1500; João da Nova descobriu a ilha da Ascensão no ano seguinte e Santa Helena em 1502.

Tristão da Cunha avistou a ilha que levou o seu nome em 1506 e foi explorar Madagáscar. Durante este período Cabral estabeleceu postos ou feitorias de comércio na índia em Cochin e Calicute (1510) e por João da Nova em Cananor (Cannanore). Em 1502 
Vasco da Gama fez tributário do rei de Portugal, o rei de Quiloa (Kilwa) na África Oriental.

Na sua viagem à Índia, Vasco da Gama pela primeira na história do Homem na Terra, navegou 67 dias em alto mar, sem ver a costa, orientando-se apenas astronomicamente pelas estrelas.


Viagem de Vasco da Gama (a preto) e as viagens anteriores de Pero da Covilhã (laranja) e Afonso de Paiva (azul), com o caminho percorrido antes de se separarem (a verde).

O Hinduísmo na Índia

Hinduísmo é uma tradição religiosa que se originou no subcontinente indiano, e que os portugueses encontraram quando chegaram à Índia, onde devido a algumas das suas imagens, chegaram a confundi-la com a religião cristã. Frequentemente é chamado de Sanātana Dharma ( por seus praticantes, frase em sânscrito que significa "a eterna (perpétua) dharma (lei)"

Brama
Num sentido mais abrangente, o hinduísmo engloba o bramanismo, a crença na "Alma Universal", Brâman; num sentido mais específico, o termo se refere ao mundo cultural e religioso, ordenado por castas, da Índia pós-budista.

De acordo com o livro História das Grandes Religiões "o hinduísmo é um estado de espírito, uma atitude mental dentro de seu quadro peculiar, socialmente dividido, teologicamente sem crença, desprovido de veneração em conjunto e de formalidades eclesiásticas ou de congregação: e ainda substitui o nacionalismo

Entre as suas raízes está a religião védica da Idade do Ferro na Índia e, como tal, o hinduísmo é citado frequentemente como a "religião mais antiga", a "mais antiga tradição viva" ou a "mais antiga das principais tradições existentes"

É formado por diferentes tradições e composto por diversos tipos, e não possui um fundador. Estes tipos, sub-tradições e denominações, quando somadas, fazem do hinduísmo a terceira maior religião, depois do cristianismo e do islamismo, com aproximadamente um bilhão de fiéis, dos quais cerca de 905 milhões vivem na Índia e no Nepal.

O Comércio das Especiarias 

O termo especiaria ou espécie, a partir dos séculos XIV e XV na Europa, designou diversos produtos de origem vegetal (flor, fruto, semente, casca, caule, raiz), de aroma ou sabor acentuados. Isto deve-se à presença de óleos essenciais. O seu uso distingue-as das ervas aromáticas, das quais são utilizadas principalmente as folhas.

Cravo-da-Índia, cravinho

Além de utilizadas na culinária, com fins de tempero e de conservação de alimentos, as especiarias são utilizadas em farmácia, na preparação de óleos, unguentos, cosméticos, incensos e medicamentos. Historicamente, esses múltiplos usos deram lugar a disputas entre as corporações - notadamente entre os especieiros e os boticários. 

Em 29 de Maio de 1453, a tomada de Constantinopla pelos otomanos dificultou ainda mais o acesso a esses produtos, pois as rotas de comércio dos principais condimentos passaram ao controle turco, ficando, assim, bloqueadas as atividades dos mercadores cristãos.

Canela
Na tentativa de contornar o problema, Portugal e Espanha organizaram expedições para a exploração de rotas alternativas - um caminho marítimo para o Oriente. 

O projeto português previa um ciclo oriental, contornando a África, enquanto que o projeto espanhol apostou no ciclo ocidental, que culminou no descobrimento da América.

Com o estabelecimento de colónias no continente americano, as nações europeias introduziram nelas o plantio das especiarias asiáticas, barateando os custos e tornando-as mais acessíveis para o mercado. Essa divulgação teve como consequência levar as próprias colónias a adotar essas especiarias, em detrimento das espécies nativas que tinham efeitos similares.

A Rota da Seda

A Rota da Seda  era uma série de rotas interligadas através da Ásia do Sul, usadas no comércio da seda entre o Oriente e a Europa. Eram transpostas por caravanas e embarcações oceânicas que ligavam comercialmente o Extremo Oriente e a Europa, provavelmente estabelecidas a partir do oitavo milénio a.C. – os antigos povos do Saara possuíam animais domésticos provenientes da Ásia – e foram fundamentais para as trocas entre estes continentes até à descoberta do caminho marítimo para a Índia. 

Conectava Chang'an (atual Xi'an) na República Popular da China até Antioquia na Ásia Menor, assim como a outros locais. Sua influência expandiu-se até a Coreia e o Japão. Formava a maior rede comercial do Mundo Antigo

A Rota da Seda
O desejo do comércio direto com a China foi também a principal razão por atrás da expansão dos Portugueses, que fizeram a volta na África por volta de 1480, seguido pelas potênciasHolanda e Grã-Bretanha no século XVII. Depois, no século XVIII, a China era considerada umas das civilizações mais prósperas e sofisticadas da Terra, apesar de sua renda per capita ser muito baixa comparando-se com a da Europa Ocidental. 

Gottfried Leibniz repercutiu sobre a percepção de predomínio na Europa antes da Revolução Industrial: "Tudo que é esquisito e admirável provém das Índias Orientais. A população instruída reparou que não há no mundo todo comércio comparado com o da China." (Leibniz).

O Achamento do Brasil

A Descoberta do Brasil

A 22 de Abril de 1500 a frota de Pedro Álvares Cabral que se dirigia a Índia, atingiu a foz de um pequeno rio, o actual Cahi, rumando depois para o Norte e ancorando numa angra a que deram o nome de Porto seguro e que se chama hoje Cabrália. Gaspar Correia, cronista da Índia, aatribui à acção dos ventos a mudança da rota que levou ao descobrimento.

É quase certo que a região já fora abordada por nautas portugueses e que a viagem de Cabral não foi de "descoberta", mas sim de "reconhecimento". 

Mas, se houve viagens anteriores, o achamento tem de ligar-se à figura de Pedro Álvares Cabral, que deve ser considerado, na bela expressão de Afrânio Peixoto, como "o homem que inventou o Brasil".

( História de Portugal - Veríssimo Serrão)

Pedro Álvares Cabral

Nasceu em Belmonte, em 1467 ou 1468, filho do alcaide-mor daquela localidade. Com cerca de 10 anos foi para a corte. Veio a casar com uma sobrinha de Afonso de Albuquerque. Sabe-se que D. João II lhe concedeu uma tença, embora se ignorem os motivos. 

Depois do regresso de Vasco da Gama da Índia, em 1499, Pedro Álvares Cabral é nomeado comandante de uma frota de treze navios que partem em Março de 1500 com destino à Índia.

A Armada que descobriu o Brasil 

 á um consenso entre os historiadores de que a armada que tinha por capitão-mor Pedro Álvares Cabral era constituída por 13 navios e que a sua tripulação rondava os 1.500 homens. Partiu de Lisboa a 9 de Março de 1500 e não fez qualquer escala antes de chegar ao Brasil no dia 22 de Abril de 1500.

Sobre a sua constituição, existem dúvidas quanto ao número de caravelas, pois a maioria das embarcações eram naus (que levavam pano redondo).

Sabe-se que os navios eram destinados a duas missões diferentes: 11 iam para a Índia; e apenas dois se destinavam à identificação de Sofala (em Moçambique), onde, sabia-se, ia parar muito ouro vindo do reino do Monomotapa.

No primeiro grupo, nove dos navios pertenciam ao rei, mas havia dois que eram de particulares. 

De todas as embarcações as informações são muito reduzidas, pelo que aqui se apresentam os nomes, seus capitães e as tonelagens, quando tais dados foram referenciados em alguma fonte.



Navios do rei: 

Pedro Álvares Cabral, nau capitânia, de nome e tonelagem ignorados.
Sancho de Tovar, sota-capitão, nau El-Rei, de cerca de 200 tonéis.
Simão de Miranda de Azevedo, nau de nome e tonelagem ignorados.
Aires Gomes da Silva, nau de nome e tonelagem ignorados. Afundou entre o Brasil e o cabo da Boa Esperança.
Simão de Pina, nau de nome e tonelagem ignorados, que afundou entre o Brasil e o cabo da Boa Esperança.
Vasco de Ataíde, nau de nome e tonelagem ignorados, que afundou depois de deixar o arquipélago de Cabo Verde.
Nicolau Coelho, nau de nome e tonelagem ignorados.
Pedro de Ataíde, nau ou caravela redonda São Pedro, de 70 tonéis.
Gaspar de Lemos, nau com reforço de mantimentos que regressou a Portugal depois da escala no Brasil.
Navios de armadores particulares: 

Nuno Leitão da Cunha, nau Nossa Senhora da Anunciada, de cerca de 100 tonéis. Pertencia à parceria de D. Álvaro de Bragança com os banqueiros-mercadores Bartolomeu Marchioni, Girolamo Sernigi e António Salvago. 

Luís Pires, nau de nome e tonelagem ignorados, pertencente à parceria de D. Diogo da Silva e Meneses (1º Conde de Portalegre) com mercadores, que afundou entre o Brasil e o cabo da Boa Esperança.

Navios para Sofala 

Bartolomeu Dias, talvez uma caravela redonda, de nome e tonelagem ignorados e que afundou entre o Brasil e o cabo da Boa Esperança. 

Diogo Dias, nau ou caravela, de nome e tonelagem ignorados
Curiosidade - Os espanhóis com as suas velhas manias de grandeza, descobriram agora, que poderia ser sido o espanhol Vicente Yánez Pinzón, que segundo alguns "historiadores", teria chegado em terras brasileiras, mais precisamente ao Cabo de Santo Agostinho, litoral Sul pernambucano, em 26 de Janeiro de 1500, com apenas três caravelas ! 
Enfim, sonhos de grandeza ! Naturalmente também foram eles que chegaram primeiro à Índia, à China, ao Japão, à Austrália, a Timor e etc., etc., !
Carta de Pero Vaz de Caminha
Certidão de Nascimento do Brasil
Carta a El Rei D. Manuel, 

Dominus : 1 de Maio de 1500. 

«Senhor,posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que -- para o bem contar e falar -- o saiba pior que todos fazer! Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentar nem afear, aqui não há de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu.Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza -- porque o não saberei fazer -- e os pilotos devem ter este cuidado. E portanto, Senhor, do que hei de falar começo..."

Américo Vespúcio que deu o nome à América

Américo Vespúcio ( Florença, 9 de março de 1454— Sevilha, 22 de fevereiro de 1512) foi um mercador, navegador, geógrafo,cosmógrafo italiano e explorador de oceanos ao serviço do Reino de Portugal e de Espanha que viajou pelo, então, Novo Mundo, escrevendo sobre estas terras a ocidente da Europa. Como representante de armadores florentinos, o mercador e navegador Vespúcio encarregou-se em Sevilha do aprovisionamento de navios para a segunda e a terceira viagens de Cristóvão Colombo.

Supõe-se que tenha participado de incursões pelo Atlântico desde 1497. Em meados de 1499 passou ao largo da costa norte da América do Sul, acima do rio Orinoco, como integrante da expedição espanhola de Alonso de Ojeda, a caminho das Índias Ocidentais.

Em 13 de Maio de 1501, a serviço do rei D. Manuel I de Portugal, partiu de Lisboa na expedição de Gaspar de Lemos constituída por três naus, cujo objetivo era investigar as potencialidades económicas e explorar a recém descoberta costa do Brasil. Em Agosto avistaram terra firme e continuaram a percorrer a costa sul até entrar a 1º de Janeiro de 1502 na baía do Rio de Janeiro.

Outros historiadores dizem que em 1501 a armada era comandada por André Gonçalves, estando encarregada de explorar a costa brasileira. Saindo de Lisboa a 17 de agosto, alcançou o cabo de São Roque e provavelmente desceu o litoral até a Patagónia.

Este já tinha decidido publicar nova versão da Cosmografia de Ptolomeu: escreveu uma introdução, que intitulou Cosmographia Introductio, na qual inseriu as Navegationes de Vespúcio, traduzidas para o latim. Waldseemüller escreveu: «Na atualidade as partes da Terra, Europa, Ásia e África, já foram completamente exploradas, e outra parte foi descoberta por Amerigo Vespuccio, como se pode ver nos mapas adjuntos. E como a Europa e Ásia receberam nomes de mulher, não vejo razão pela qual não possamos chamar a esta parte Amerige, isto é, a terra de Amérigo, ou América, em honra do sábio que a descobriu.» E assim neste mapa o novo hemisfério situado do outro lado do mar Oceano foi chamado «América» por primeira vez.

Em 1503 Vespúcio retornou ao Brasil, desta vez comandando um navio da frota de Gonçalo Coelho, armada por cristãos-novos associados a Fernão de Noronha. Perdendo-se do resto da armada, carregou o navio de pau-brasil ao sul da baía de Todos os Santos e desembarcou em Lisboa em 18 de junho de 1504. Afirmou então haver estado em um novo mundo, ao qual chamaria Novus Orbis porque os antigos o desconheciam. Disse também, segundo o historiador Hugh Thomas, que desejava retornar e chegar ao oriente pelo sul, aproveitando-se dos ventos austrais. Mas nunca o fez.

Pedro Nunes (1502-1578)

Pedro Nunes, em latim PETRUS NONIUS ( N. em 1502, Alcácer do Sal, -- M. em Coimbra a 11 de Agosto de 1578 ), matemático, geógrafo, e figura principal da ciência náutica portuguesa, notado pelos seus estudos sobre a terra incluindo os oceanos.
Pedro Nunes

De família de ascendência judaica, Pedro Nunes estudou na Universidade de Salamanca, e talvez na Universidade de Alcalá de Henares, mas o seu nome não consta dos registos dessas universidade, pois talvez tenha frequentado aulas com ouvinte (Dic.Hist.Portugal - Joel Serrão ). 

Em 1529 seguiu os cursos de Filosofia e Matemática na Universidade de Lisboa, onde alcançou o grau de bacharel.

Pedro Nunes foi depois professor de matemática em Lisboa e Coimbra e tornou-se cosmógrafo real em 1529, quando da disputa com a Espanha sobre a posição das ilhas das especiarias, pois os mapas de aquele tempo não estavam de acordo sobre a longitude dessas mesmas ilhas.

Dedicou-se pessoalmente à solução desses problemas assim como à cartografia em geral. Foi para Espanha em 1538, mas regressou a Portugal em 1544 e tornou-se numa autoridade sobre as posições geográficas das navegações.

Nónio Original
Pedro Nunes foi depois professor de matemática em Lisboa e Coimbra e tornou-se cosmógrafo real em 1529, quando da disputa com a Espanha sobre a posição das ilhas das especiarias, pois os mapas de aquele tempo não estavam de acordo sobre a longitude dessas mesmas ilhas. 

Dedicou-se pessoalmente à solução desses problemas assim como à cartografia em geral. Foi para Espanha em 1538, mas regressou a Portugal em 1544 e tornou-se numa autoridade sobre as posições geográficas das novas descobertas de Portugal e Espanha. Em 1547 passou a cosmógrafo-mor do reino.

Dedicou-se também à investigação, tendo publicado em 1542 a obra " De Crespusculis" onde descreve em pormenor uma sua invenção, que consta de uma escala, anexa a uma escala principal, que permite ler fracções de divisão com um rigor muito maior do que o obtido por estimativa. Esta invenção, que lhe deu fama mundial, conhecida pelo nome de " nónio ", foi depois desenvolvida pelo francês Pierre Vernier, que lhe deu a forma rectilínea actual ( o de Pedro Nunes era circular ).

Em 1537, escreve o " Tratado da Sphera ", altura em que inventa as linhas de rumo, posteriormente designadasloxodromias. 

Condensado da Enciclopédia Britânica e do Dicionário de História de Portugal de Joel Serrão

Damião de Góis (1502-1574)

Damião de Góis, ( N. em Alenquer em 2 de Fevereiro de 1502 -- M. a 30 de Janeiro de 1574, parece que também em Alenquer ). Figura ímpar do renascimento português, historiador e grande humanista, tinha uma mente enciclopédica e foi um dos espíritos mais críticos da sua época. Foi um verdadeiro traço de união entre Portugal e a Europa culta do século XVI.

De família nobre, filho de Rui Dias de Góis e da sua quarta esposa Isabel Gomes de Limi, devido à morte do seu pai,Damião de Góis passou 10 anos da sua infância na corte de D. Manuel I como moço de câmara. Em 1523 foi colocado por D. João III como secretário da feitoria portuguesa em Antuérpia . 
Efectuou várias missões diplomáticas e comerciais na Europa entre 1528 e 1531. 

Em 1533 abandonou o serviço oficial do governo português e dedicou-se exclusivamente aos seus propósitos de humanista. Tornou-se amigo íntimo do humanista holandês Desiderius Eramus , com quem convive em Basileia em 1534 e que o guiou nos seus estudos assim como nos seus escritos. Estudou em Pádua entre 1534 e 1538 onde foi contemporâneo dos humanistas italianos Pietro Bembo e Lazzaro Buonamico. Pouco tempo depois fixou-se em Lovaina por um período de seis anos. 
Damião de Gois - Desenho de Durer


Damião de Góis foi feito prisioneiro durante a invasão francesa da Flandres mas foi libertado pela intervenção de D. João III que o trouxe para Portugal. 

Em 1548 foi nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, e 10 anos mais tarde foi escolhido pelo Cardeal D. Henrique para escrever a crónica oficial do Rei D. Manuel I que foi completada em 1567. 

No entanto este seu trabalho histórico desagradou a algumas famílias nobres, e em 1571 Damião de Góis caiu nas garras do Santo Ofício ( Inquisição ), de maneira brutal, pois foi preso, sujeito a processo e depois transferido para o Mosteiro da Batalha. 

Trágico fim de vida, pois abandonado pela sua família, apareceu morto, com suspeitas de assassinato, na sua casa de Alenquer, em 30 de Janeiro de 1574, sendo enterrado na igreja de Santa Maria da Várzea, da mesma vila.

As suas maiores obras em Latim e em Português são históricas. Incluem a Crónica do Felicíssimo Rei Dom Emanuel (4 parts, 1566-67 ) e a Crónica do Príncipe Dom João (1567 ). 

Ao contrário do seu contemporâneo João de Barros, o grande humanista português manteve uma posição neutra nas suas crónicas sobre o Rei D. Manuel I e do seu filho o príncipe João, depois D. João III.

Condensado de Enciclopédia Britânica e do Dicionário de História de Portugal de Joel Serrão.

O Mosteiro dos Jerónimos

Encomendado pelo rei D. Manuel I, pouco depois de Vasco da Gama ter regressado dasua viagem à Índia, foi financiado em grande parte pelos lucros do comércio de especiarias. Escolhido o local, junto ao rio em Santa Maria de Belém, em 1502 é iniciada a obra com vários arquitectos e construtores, entre eles Diogo Boitaca (plano inicial e parte da execução) e João de Castilho (novo plano,abóbadas das naves e do transepto – está com uma rede de nervuras em forma de estrela –, pilares, porta sul, claustro, sacristia e fachada) que substitui o primeiro em 1516/1517.

Mosteiro do Jerónimos


D. Manuel I era o nono filho do infante D. Fernando ( filho de D. Duarte ) e de D. Brites, nasceu em Alcochete em 31 de Maio de 1469 e faleceu em Lisboa a 13 de Dezembro de 1521estando sepultado na capela-mor do Mosteiro dos Jerónimos em Belém. Casou a primeira vez em 1497 com a viúva do infante D. Afonso, D. Isabel filha dos Reis Católicos. Com a morte de D. Isabel em 1498, voltou a casar em 1500 com a infanta D. Maria, irmã da sua primeira mulher. Viuvo de novo em 1517, volta a casar com D. Leonor, irmã de Carlos V, e que fora primeiramente destinada ao seu filho.

Relações com a China (1508)

As primeiras referências à China num documento português remontam a 1508 e estão contidas no regimento de viagem dado a Diogo Lopes de Sequeira. A missão do fidalgo consistia em descobrir o entreposto marítimo - comercial de Malaca.

Mas, pedia-se-lhe, em simultâneo, que tentasse averiguar quem eram os chineses, qual era o seu poderio e que tipo de produtos negociavam.

Vista aérea da Península de Macau
Foi, precisamente, na sequência da conquista de Malaca por Afonso de Albuquerque que os portugueses atingiram, pela primeira vez, a China em 1513. Fizeram-no a bordo de um barco asiático, integrados numa expedição comercial. O seu chefe de fila era Jorge Álvares, que conseguiu negociar favoravelmente.

A primeira armada oficial chegou a Cantão em 1517, sob o comando de Fernão Peres de Andrade, que também fez bons negócios. Descobriu-se, todavia, que a região estava infestada de piratas e que, devido ao sistema das monções, era impossível explorar o resto do Extremo - Oriente sem uma base permanente.
Portugueses chegam ao Japão

Em 1543, Francisco Zeimoto, António Mota e António Peixoto são os primeiros portugueses a atingir o Japão. Terão aportado ao Japão a 23 de Setembro, tendo sido este primeiro contacto de europeus com o Japão, relatado pelo cronista Fernão Mendes Pinto. 

Segundo este, a ilha de Tanegashima teria sido o primeiro lugar visitado pelos portugueses, que espantaram os autóctones não só com o relato de terras e costumes que tinham visto como com a novidade das armas de fogo, visto que o conhecimento da pirobalística ainda não tinha chegado ao Japão. 
Carraca Portuguesa em Nagasaki, cidade fundada pelos portugueses no Japão em 1570. Painel japonês do período Nanban, século XVII

A chegada dos portugueses deu origem ao período de comércio Nanban (sendo Naban-jin, a denominação que atribuiam aos bárbaros do sul), durante o qual uma intensa interação com os poderes europeus ocorreu tanto a nível econômico como religioso.

Os portugueses chegaram ao Japão em meados do século XVI, tendo sido relativamente bem recebidos. Estabeleceram-se desde logo relações comerciais entre os dois povos, nomeadamente a troca da seda chinesa por prata japonesa.

Foi através dos portugueses que os japoneses conheceram as armas de fogo e o tabaco, enquanto produto medicinal. Em 1550, o monopólio das viagens ao Japão passara a pertencer às autoridades portuguesas de Goa.

Houve também uma forte relação cultural entre estes dois povos, nomeadamente na assimilação de hábitos e costumes. Foi S. Francisco Xavier que iniciou a missionação no Japão em 1549, tendo os Jesuítas uma influência na conversão de milhares de japoneses à fé cristã.

Com a chegada dos franciscanos ao Japão começou a existir uma rivalidade entre estes e os jesuítas, o que degradou a imagem da religião cristã no Japão. Este confronto entre as duas ordens e a chegada dos holandeses levaram ao agravamento da situação dos portugueses no Japão. Os holandeses conspiravam junto dos governantes japoneses contra os portugueses.

Em 1614, os missionários portugueses foram expulsos do Japão, com uma perseguição aos cristãos japoneses. Em 1639, os portugueses foram definitivamente expulsos do Japão.

Nagasaki foi fundada por navegadores portugueses na segunda metade do século XVI
Nagasaki ou Nagasáqui é ao mesmo tempo capital e cidade mais populosa da província homónima, na ilha de Kyushu, no Japão. Nagasaki foi fundada por navegadores portugueses na segunda metade do século XVI, no local onde havia uma pequena vila de pescadores, que era parte Distrito de Nishisonogi. A cidade tornou-se um centro de influência português e de outros povos europeus ao logo dos séculos XVI a XIX, tanto que, em 30 de janeiro de 2007, as igrejas e outros sítios cristãos da cidade foram inscritos na lista de candidatos a Património Mundial da UNESCO.

Informação da Unesco sobre Mission Base Nagasaki

"Christianity was introduced in Japan by Jesuit missionary Francis Xavier in 1549 and spread rapidly in the western part of the nation. The Jesuits established their mission base in Nagasaki,where a port of foreign trade with Portugal was developed. The city of Nagasaki played an important role as a key base for the missionary work in Japan. Churches and Christian culture flourished here, and the Young Delegates of Tenshō set off from Nagasaki in 1582 for Europe, where they had an audience with the Pope."
 Os portugueses descobriram a Austrália ?

A teoria de que terão sido os portugueses os primeiros europeus a chegar à Oceania começa a ganhar consistência. A descoberta de um documento que descreve uma expedição ordenada por D. Manuel I e a presença de nomes lusitanos num mapa que parece representar a costa da Austrália estão a levar académicos australianos a inclinar-se a favor da hipótese de os portugueses terem descoberto aquele continente 250 antes do capitão Cook.

Terá sido uma expedição secreta ordenada pelo Rei Dom Manuel I a descobrir a Austrália e a cartografar as suas costas um século antes dos holandeses e 250 anos antes do capitão Cook?

As provas que apontam neste sentido continuam a acumular-se. Um documento-chave a favor da descoberta pelos portugueses é o Atlas Vallard, um atlas do mundo então conhecido e produzido em Dieppe, Norte de França, no ano de 1547. Este documento único contém dois mapas de um continente enigmático cujo feitio e posição possuem uma incrível semelhança com a Austrália.


O canhão português

Christopher Doukas tinha 11 anos quando fez a descoberta. Em janeiro de 2010, encontrou um canhão feito de bronze, que tudo indica ser, segundo a imprensa local, de uma embarcação portuguesa dos séculos XV e XVI. 

O ano passado, a mãe do jovem contactou o Museu de Darwin para alertar os responsáveis sobre a descoberta. Contudo, só nas últimas semanas é que o objeto foi solicitado para ser estudada a sua autenticidade. Os especialistas vão agora tentar perceber se a presença do artefacto significa que os portugueses chegaram à costa norte da Austrália no século XVI - ou seja, antes dos holandeses.

A História diz que o primeiro contacto europeu com a Austrália data de 1606, aquando da chegada de um navio holandês. Já os portugueses ocuparam a ilha de Timor um século antes, estando a 700 quilómetros da costa australiana. A sua presença nesse país continua ainda por provar.


O Budismo

Quando chegaram à China os portugueses encontraram o Budismo que é uma religião e filosofia não-teísta que abrange uma variedade de tradições, crenças e práticas, baseadas nos ensinamentos atribuídos a Siddhartha Gautama, mais conhecido como Buda  ("O Iluminado"). Buda viveu e desenvolveu seus ensinamentos no nordeste do subcontinente indiano, entre os séculos VI e IV a. C.3 .

Monges no Mosteiro do Tibete
Ele é reconhecido pelos adeptos como um mestre iluminado que compartilhou suas ideias para ajudar os seres sencientes a alcançar o fim do sofrimento (ou Dukkha), alcançando oNirvana (páli: Nibbana) e escapando do que é visto como um ciclo de sofrimento do renascimento.4

Os ensinamentos de Buda Shakyamuni chegaram ao Tibete pela primeira vez no século V. Foi somente a partir do século VII, no entanto, quando o Rei Trisong Deutsen convidou da Índia o monge e erudito Shantarakshita e o Mestre Guru Padmasambava para construírem o Monastério de Samye, que o budismo firmemente se estabeleceu no país das neves. 

Durante a primeira fase de propagação do Carma no Tibete, surgiu a escola mais antiga do Budismo Tibetano, conhecida como Nyingma, palavra tibetana que significa “antigo”.

As quatro escolas; posteriormente, após um período em que um dos reis tentou dizimar o budismo do país, houve um novo fluxo de mestres indianos e novas traduções de textos sagrados. Com isso formaram-se novas linhagens de práticas. Quatro escolas principais foram estabelecidas e são conhecidas até hoje: Nyingma, Kagyu, Sakya, Gelupa.

As origens dos Correios - (1520)

As origens dos CTT remontam a 1520, ano em que o Rei D. Manuel I criou o primeiro serviço de correio público de Portugal, nomeando primeiro Correio Mor do Reino hereditário a António Gomes de Elvas, de ascendência Cristã-nova, cargo extinto pela Rainha D. Maria I em 1798.

Os modernos CTT têm origem na fusão das Direcções-Gerais dos Correios e dos Telégrafos num único departamento, denominado Direcção-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis.

Em 1911 a instituição passa a ser dotada de autonomia administrativa e financeira, passando a denominar-se Administração-Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones, adoptando a sigla CTT que mantém até aos dias de hoje, apesar das posteriores alterações de denominação oficial.

Em 1969 os CTT são transformados em empresa pública, com a denominação de CTT - Correios e Telecomunicações de Portugal, E. P..

Em 1992 os CTT são transformados em sociedade anónima, com a denominação CTT - Correios de Portugal, S. A.. Ao mesmo tempo a área das telecomunicações é separada, formando uma empresa autónoma.

D. Francisco de Almeida na Índia


D. Francisco de Almeida (Lisboa, c. 1450 — Baía de Saldanha, 1 de março de 1510) foi um militar português e um explorador, homem de guerra e organizador notável, com vitórias e excelentes actos de administração. Primeiro vice-rei da Índia (1505-1509), nasceu em Lisboa por volta de 1450, filho dos primeiros condes de Abrantes, D. Lopo de Almeida e de sua mulher D. Beatriz da Silva.

Foi criado na corte de D. Afonso V, onde se fez notar pelo seu espírito militar ao serviço dos reis católicos na conquista de Granada. Sabe-se que era homem da confiança de D. João II e que participou na Batalha de Toro, quando o rei português interferiu na sucessão de Castela.


D Francisco partiu de Belém em 25 de março de 1505 para o porto de Dale, na costa da Guiné; chegou a Quiloa em 23 de julho, véspera do dia do Apóstolo Santiago; coroou Mohamed Anconij Rei de Quiloa «em cadafalso emparamentado de panos de ouro e de seda, pondo-lhe coroa de ouro na cabeça» e fê-lo jurar de ser leal aos Reis de Portugal e ser seu vassalo, e o coroou e lhe entregou o Reino, do que mandou fazer instrumentos púbicos em língua arábica e portuguesa.

Francisco de Almeida chegou à Índia como vice-rei em 1505, fortaleceu a estação africana de Quiloa e ajudou o rei de Cochim contra o Samorim de Calicut. O controlo do comércio marítimo estava agora estabelecido, e tornou-se a principal fonte de riqueza dos Portugueses no Oriente. Com a derrota da forças navais Muçulmanas (1509), ficou assegurado o controlo de Diu.

Seguiu como política conquistar praças e erguer fortalezas que assegurassem a presença e o domínio portugueses. Assim, tomou Quíloa e incendiou Mombaça, na costa oriental de África; na Índia, construiu fortalezas em Cananor e Cochim. Num ataque dos mouros em Chaul (1508) é morto seu filho D. Lourenço de Almeida, do que se vinga com a vitória naval da Batalha de Diu sobre o sultão do Egipto Mir Hocem em 1509.

Diz o cronista: «Partiu de Quiloa na véspera do bem aventurado São Lourenço, em 9 de agosto, para Mombaça, que já se havia armado com muita artilharia assentada no muro e 4 mil soldados. Na véspera da Assunção de Nossa Senhora, mandou incendiar a cidade, e entraram nela recebendo grande dano de pedras, zagunchos e lanças d'arremesso. Saqueou-a e ardeu toda. 

Não pode ir ver o Rei de Melinde por força do vento, e partiu em 27 de agosto. O de Onor e o alcaide d Cintacora mandaram pedir paz e a concedeu, mas o d Onor a quebrou e foi desbaratado. Depois chegou a Cananor e se chamou Vice-Rei. Mandou o filho à ilha de Maldiva, a 50 léguas de Cochim, e percorreu a costa do Malabar, onde desbaratou armada do Rei de Calecut e desfez a fortaleza Danchediva.»

D. Lourenço de Almeida seu filho, porém, morreu no rio de Chaul com mais de 80 portugueses. Sua morte foi heróica: ferido, sentado numa cadeira e amarrado ao mastro, comandou seus homens até que uma segunda bombarda lhe roubasse a vida. Depois que morreu seu filho Lourenço de Almeida em Chaul, o carácter de seu pai mudou para vingativo e cruel; entregou com relutância o governo aAfonso de Albuquerque.

Francisco de Almeida concebeu o plano de manter só o domínio do mar com fortes esquadras, e na terra não ter mais que algumas feitorias e pontos de apoio.

Descobrimentos Portugueses
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A Grande Batalha naval de Diu

As actividades dos portugueses levaram os muçulmanos a tomar acção militar. O sultão do Egipto, aliado aos venezianos e aos Turcos, organizou uma grande armada que atravessou o Oceano Indico até Diu, onde entrou em combate com uma esquadra portuguesa.

Em 2 de Fevereiro de 1509, travou-se uma grande batalha naval e a armada do sultão foi totalmente destruída pelos portugueses, que assim asseguraram a sua hegemonia comercial e militar sobre a Índia e permitiu a Portugal estender o seu Império até à China e Japão.


Batalha naval de Diu
A superioridade da artilharia naval portuguesa, maior alcance, precisão e cadência de tiro, foi a principal responsável por esta tremenda vitória naval sobre os seus adversários muçulmanos e venezianos. ( Veja-se Páginas Secretas da História de Portugal por Rainer Daehnhardt )

Superioridade desde logo, no campo da logística: estando, embora, a maior distância que o sultanato egípcio, a armada lusa era mais bem reabastecida em navios, homens e material. Era o fruto de uma experiência acumulada durante todo o século XV e que implicava "alguma gestão sofisticada e algum cálculo matemático de cargas, aguadas em terra, tempos de viagem, mantimentos, etc".

Ainda que a colocação, a bordo, de peças de artilharia estivesse longe de ter sido uma invenção portuguesa, foi entre nós que mais cedo se estudou quais as melhores armas, munições e formas de utilização. A artilharia naval lusa "era padronizada, existindo três tipos básicos de peças". A mais usada, o camelo, conciliava poder de fogo e tamanho, já que o espaço é "um bem sempre escasso a bordo".

Tiro devastador

Estes canhões-pedreiros disparavam munições de pedra, o que parecendo um ancronismo, não o era. As bolas de pedra estilhaçavam a madeira do alvo. Se fosse um tiro baixo, abria rombos difíceis de tapar. Se atingisse o convés, a munição fragmentava-se e estes estilhaços, juntamente com os da madeira, tinham um efeito devastador na tripulação inimiga.

"Um só tiro, enfiando uma galé da popa à proa, podia pô-la fora de combate", explicou o conferencista.

Os artilheiros da Armada do Oriente sabiam que, com o balanço do barco e o efeito de dispersão do tiro, as suas armas só eram eficazes a curta distância. Mas aí, eram temíveis.

Na batalha de Diu, o segundo maior navio egípcio foi rapidamente afundado a tiro, um feito quase inédito naquela época. E mesmo na batalha de Chaul, 11 meses antes, onde a frota lusa acabou por retirar, perdendo a nau capitânea e D. Lourenço de Almeida, filho do vice-rei, o saldo do duelo de artilharia também fora favorável.

A última vantagem portuguesa era o domínio das informações. Havia espiões no Cairo e em Alexandria e, desde 1505 que se sabia que o sultão do Egipto preparava uma expedição naval à Índia. No plano local, o jogo de alianças era mais favorável aos portugueses, tendo aliados de alguma confiança em Cochim e Cananor. Os mamelucos eram vistos como uma potência tão expansionista como os lusos. O governador de Diu, Meliqueaz, vai revelar talento político, fingindo apoiar os egípcios mas, ao mesmo tempo, favorecendo os portugueses.

Interessava-lhe o comércio com estes, mais que com o Cairo, mas sem que isso representasse a ocupação militar. Será ele que, após a derrota de Chaul, protegerá os prisioneiros lusos, furtando-os ao destino que os mamelucos reservavam aos seus inimigos: empalhá-los e mandá-los par o Cairo como troféus.

Se nesta mesma batalha foram as suas fustas que deram o golpe fatal na nau de D. Lourenço de Almeida, em Diu, fingirão combater mas, na realidade, não dispararão um tiro ao lado dos egípcios. Meliqueaz morrerá na cama, em 1521, com fama de herói muçulmano entre o povo mas sempre de razoáveis relações com os portugueses.

Artilharia Naval - Sua utilização em Portugal

Dom Henrique de Castela em 1370 utilizou canhões contra as tropas portuguesas em Cidade Rodrigo, Aljubarrota e Lisboa.

O mestre de Avis, havia recebido a disputada coroa portuguesa e o título de Dom João I em 1384. Para defender suas fronteiras contra os ataques castelhanos, as indústrias portuguesas começaram a produzir canhões com as técnicas metalúrgicas dos sarracenos. As indústrias portuguesas obtiveram aço maleável para armas de fogo nas forjas de Arcebispo e em Santa Clara. Dom Afonso V estabeleceu em Portugal a 1ª Unidade de Artilharia em 1449 e o cargo de Provedor Mor da Artilharia. 

Os canhões foram instalados pela primeira vez em Portugal para a defesa das fronteiras, rios e mares. Em Lisboa, os canhões também foram instalados em navios com casco reforçado para mil tonéis, cujo modelo foi utilizado na construção de caravelas.


A força militar portuguesa esteve protegida por tais canhões durante os Descobrimentos portugueses. Estes canhões eram mais leves do que os conhecidos e tinham o alcance de aproximadamente duas milhas e meia, impedindo a agressão inimiga.

Assim fez Cabral sobre Calecute na Índia, após a descoberta do Brasil. Vasco da Gama também aplicou pesadas perdas sobre Calecute.

O Comandante Duarte Pacheco Pereira em Cochim com dezoito canhões abateu 150 navios árabes. Outros comandantes portugueses impuseram o domínio bélico sobre a China e o Japão. O calibre dos canhões era identificado pelo peso dos projéteis em libras, ao peso de 0,456 kg: 12 libras; 18 libras, 24 libras.

O trecho a seguir, tradução de um manuscrito francês de 1748, intitulado Relâche du Vaisseau L'Arc-en-ciel à Rio de Janeiro, que se encontra na Biblioteca da Ajuda, em Lisboa, nos dá um relato de como era protegida a Baía da Guanabara, naquela época por uma fortaleza, com canhões:

"A Fortaleza de Santa Cruz, a mais importante do país, está situada sobre a ponta de um rochedo, num local onde todos os barcos que entram ou saem do porto são obrigados a passar a uma distância inferior ao alcance de um tiro de mosquete. A fortificação consiste numa compacta obra de alvenaria de 20 a 25 pés de altura, revestida por umas pedras brancas que parecem frágeis. 

Sua artilharia conta com 60 peças de canhão, de 18 e 24 polegadas de calibre, instaladas de modo a cobrir a parte externa da entrada do porto, a passagem e uma parte do interior da baía. Cada uma das peças referidas foi colocada no interior de uma canhoneira, o que gera um inconveniente: mesmo diante de um alvo móvel, como um barco a vela, elas só podem atirar numa única direção." 

Arma anti-navio - calibre 100mm

A peça de imagem, é uma réplica do século XVI devendo corresponder a um exemplar pequeno, pois o Meio Canhão poderia ter calibres maiores e disparar pelouros de até 14Kg. 

Notar no entanto que a peça está montada numa reparo de quatro rodas, o qual só passou a ser comum no século XVII, nos navios portugueses e também nos navios da coroa de Castela e Leão.

Este tipo de peça de artilharia de baixo calibre, menos poderoso que as colubrinas de grande alcance, mas com maior calibre que os pequenos canhões do tipo Falcão e Falconete foram importantes numa primeira fase dos descobrimentos portugueses, quando se começaram a armar as Naus da Índia.

Na verdade, só à medida que os portugueses se foram defrontando com artilharia cada vez mais poderosa, é que se tornou necessário aumentar ainda mais os calibres dos canhões dos navios da Índia.


Os portugueses chegam à China e ao Japão
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Afonso de Albuquerque o Grande - Duque de Goa


Afonso de Albuquerque nasceu em Alhandra, nos arredores de Lisboa, no ano de 1453.4 Era o segundo dos quatro filhos de Gonçalo de Albuquerque, senhor de Vila Verde dos Francos, e de D. Leonor de Meneses, filha de D. Álvaro Gonçalves de Ataíde, conde de Atouguia. Através de seu pai, que desempenhava um importante cargo na corte, descendia por via natural da família real portuguesa. Foi educado em matemática e latim clássico na corte de D. Afonso V, onde cresceu e travou amizade com príncipe D. João, futuro rei.

Afonso de Albuquerque serviu dez anos no Norte de África, onde adquiriu experiência militar: em 1471 acompanhou Afonso V nas conquistas de Tânger, Anafé e Arzila, onde permaneceu alguns anos como oficial na guarnição. Em 1476 acompanhou o príncipe D. João nas guerras contra Castela, tendo participado na batalha de Toro. Participou na esquadra enviada em 1480 em socorro de D. Fernando II rei de Aragão, Sicília e Nápoles «para reprimir o furor dos turcos» de avançar na península itálica, no Golfo de Tarento, em Otranto, que culminaria na vitória dos cristãos em 1481.

Afonso de Albuquerque, sucessor de Almeida, conquistou Goa (1510), que se tornou a sede do poder Português, e Malaca (1511); mandou duas expedições às Molucas (1512 e 1514); capturou Ormuz no Golfo Pérsico (1515). Pouco depois, Fernão Peres de Andrade chegou a Cantão na China, e em 1542 foi permitido aos mercadores portugueses instalarem-se em Liampo (Ning-Po)., fundando em 1557 a colónia de Macau (Macao).

Afonso de Albuquerque é reconhecido como um génio militar pelo sucesso da sua estratégia de expansão: procurou fechar todas as passagens navais para o Índico – no Atlântico, Mar Vermelho, Golfo Pérsico e oceano Pacífico – construindo uma cadeia de fortalezas em pontos chave para transformar este oceano num mare clausum português, sobrepondo-se ao poder dos otomanos, árabes e seus aliados hindus.

Albuquerque foi responsável pela concepção do sistema de construir pontos de apoio fortes, que asseguraram o comércio do Oriente para Portugal durante quase um século. Goa tornou-se rapidamente o principal porto da Índia ocidental; Ormuz controlava o Golfo Pérsico, e Malaca era a ponte para o Oceano Indico e para o Sul do Mar da China, enquanto uma cadeia de feitorias fortificadas asseguravam a costa Este de África , o golfo e deltas da Índia e do Ceilão.

Mais para Este, instalaram-se feitorias menos fortificadas com o consentimento dos governantes nativos desde Bengala até à China, colocando o comércio das especiarias, das ilhas principais, nas mãos dos Portugueses. A orientação deste sistema complexo, era manejado por um governador , que algumas vezes tomava o título de Vice-rei, com sede em Goa.

Ainda que as armas portuguesas tiveram triunfos e derrotas, o seu controlo do comércio Oriental permaneceu quase total, ainda que nunca completo, até ao século XVII, quando os Holandeses, em guerra conjunta com as coroas de Portugal e Espanha e apesar do seu comércio tradicional com Lisboa, começaram a procurar as espécies na fonte, demolindo o monopólio Português
  1. Como diz Pirenne, o grande historiador Belga, na sua História Universal:

    " A navegação do Oceano Índico, estava no século XVI inteiramente nas mãos dos árabes. Os portugueses não vacilaram em revelar-se os seus implacáveis rivais, ainda que a milhares de léguas das suas bases
    .

    Foram apenas necessários 30 anos, para que uns poucos milhares de Iberos, se apoderassem dos seus negócios. graças principalmente à sua artilharia e aos seus 300 barcos de guerra."


Fernão de Magalhães

Fernão de Magalhães nasceu em 1480 em Sabrosa ou no Porto e morreu em combate, em 27 de Abril de 1521 em Mactan, Filipinas. Navegou sob as bandeiras de Portugal ( 1505-1512 ) e Espanha (1519-21) e é

 considerado por muitos historiadores, como o maior navegador de todos os tempos. Ainda há pouco tempo, foi homenageado pela NASA, que enviou ao espaço uma nave com o seu nome.

Quando ideou a viagem de circum-navegação ao globo, que acabou por fazer ao serviço de Carlos V, Magalhães sabia bem o que ia encontrar, ninguém fazia uma viagem dessas à sorte, e o lema que o imperador concedeu ao escudo de armas de Sebastián Elcano "Primus circumdedisti me" ( O primeiro que me rodeou ) teria assentado perfeitamente a Fernão de Magalhães..

Fernão de Magalhães ( Ferdinand Magellan em inglês ) é indiscutivelmente o português mais importante, , mais conhecido e reconhecido a nível Mundial. Deu nome ao estreito de Magalhães, às nuvens de Magalhães ( duas das galáxias mais perto da terra ), à nave que a NASA mandou a Vénus e até a uma marca de GPS.

João Rodrigues Cabrilho - Descobre a Califórnia

João Rodrigues Cabrilho, também conhecido como Juan Rodríguez Cabrillo, foi um navegador e explorador português do século XVI.

Ao serviço da coroa espanhola efectuou importantes explorações marítimas no Oceano Pacífico (costa Oeste dos actuais EUA) e terrestres na América do Norte, participando na conquista da Capital Azteca de Tenochtitlan , com o conquistador espanhol Hernán Cortés em 1521, participou também com Pedro de Alvarado e mais 300 europeus, na conquista dos territórios que compreendem hoje as Honduras, Guatemala e San Salvador, entre 1523 e 1535, ajudando a fundar Oaxaca (um dos 31 Estados do México).

Ao serviço da Espanha, no mês de Junho do ano de 1542, João Rodrigues largou amarras de Navidade, na costa Oeste do México, navegando para o Norte, e três meses depois alcançou a Baia de San Diego, tornando-se o primeiro europeu a desembarcar no que é actualmente o Estado da Califórnia.


A nacionalidade portuguesa de João Rodrigues não oferece dúvidas, pois é o próprio cronista e Chefe das Índias Espanholas, D. António Herrera y Tordesillas, que na sua Historia General de los hechos de los Castellanos en lás Islas y tierra firme del Mar Oceano o confirma, ao dizer ter D. António de Mendonça aprestado os navios "São Salvador" e "Victoria" para prosseguirem na exploração costeira da Nova Espanha y que nombrô por Capitan dellos a Juan Rodriguez Cabrillo Português, persona muy pratica en las cosas de la mar ( em português: e que nomeou por Capitão deles, João Rodrigues Cabrilho, português, pessoa mui experimentada nas coisas do mar).

MMonumento a João Rodrigues Cabrilho em San Diego
Morreu a 3 de Janeiro de 1543 no Sul do actual estado americano da Califórnia, desconhecendo-se o local da sua sepultura.

Garcia da Orta

Médico português, cristão-novo. Sua vida começa em Castelo de Vide, em torno de 1500, e em 1568 termina em Goa, na Índia . Ele é descendente daqueles judeus expulsos da Espanha em 1492 que entram em Portugal. Em 1497 D. Manoel converte a todos compulsoriamente ao cristianismo. Daí ficam conhecidos como cristãos-novos, termo que já existe em Castela e Aragão (embora lá a história seja diferente). Garcia da Orta, segue para Salamanca e Alcalá de Henares, em Castela, onde estuda medicina.
1523 é o ano em que Garcia da Orta retorna a Portugal e recebe a autorização para exercer clinica. Nesta fase de sua vida convive com importantes figuras lá em Portugal. O matemático Pedro Nunes, também cristão-novo, é um de seus grandes amigos.

Em 1530 assume a cadeira de Lógica na universidade de Coimbra. Tem algumas dificuldades para consegui-la. É rejeitado por duas vezes neste seu intento. Graças à influência de um tio, Francisco da Orta, médico do futuro cardeal D. Henrique, é que consegue este trabalho. 

Assim é Portugal nesses dias! Sua paixão pelo estudo das coisas do mundo o leva a ser um professor conceituado e querido. Garcia da Orta ensina a seus estudantes a importância do estudo das coisas do mundo, o valor da observação, o valor dos sentidos que vêem o novo e o inusitado e junto com o intelecto trata de inquirir e descobrir coisas que eram até então vistas de maneira menos abrangente e verdadeira.

Em 1533 torna-se deputado no senado na universidade. Mas ele não está contente. A carreira universitária que constrói não lhe oferece maiores desafios. Lá fora há um mundo por descobrir. Ele escuta os relatos dos viajantes sobre as novas terras, sua plantas e gentes tão diferentes de tudo que se ouve e se sabe. O mundo dos antigos é limitado, pequeno. Agora ele se expande, se abre. O desejo de Garcia da Orta em conhecê-lo e descrevê-lo.

Os últimos anos de Garcia da Orta são bastante difíceis. Enfrenta dificuldades financeiras e querelas familiares. Em 1568 adoece de grave doença que o leva à morte. Mas ainda vê sua irmã, Catarina, ser levada à Catedral de Goa para ouvir sua sentença pelo "crime" de judaizar: a fogueira. Pessoas de sua família são devassadas pela fúria inquisitorial. 

Não apenas em Goa, mas também em Portugal. Morre amargurado e em extrema dificuldade mas, pelo menos, parece estar em paz. Só que o Santo Ofício não pára na sua sanha "purificadora". Como decorrência dos processos levados a cabo contra pessoas de sua família, acaba sendo julgado pos-mortem e condenado à fogueira.

Como não se encontra mais entre os vivos, seus ossos são desenterrados e queimados.

As Grandes Navegações
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Renascença em Portugal - Arquitectura e escultura

Na arquitetura, os lucros do comércio de especiarias nas primeiras décadas do século XVI financiaram um estilo de transição sumptuoso, mais tarde nomeado manuelino  dado ter sido no reinado de Manuel I, que a maioria dos edifícios foi iniciada. O Manuelino mescla o gótico final com elementos da renascentistas, a influência dos estilos contemporâneos plateresco, isabelino, e elementos mudéjares. Distingue-se pela decoração luxuriante, com motivos naturalistas marinhos, cordas e uma rica variedade de animais e motivos vegetais. Remonta ao crescente gosto pelo exotismo, desde o início da expansão.

O primeiro edifício conhecido em estilo manuelino é o Mosteiro de Jesus de Setúbal de (1490-1510) do arquitecto Diogo Boitaca, considerado um dos criadores do estilo, que colaborou com o escultor francês Nicolau de Chanterene. A nave da igreja, apoiada em colunas em espiral, revela a tentativa de unificar o espaço interior que atinge seu clímax na igreja do Mosteiro dos Jerónimos, terminada em 1520 pelo arquitecto João de Castilho.

Igreja de São Roque em Lisboa
Testemunhos maiores deste estilo são a Igreja de São Roque (Lisboa), iniciada em 1555 por Afonso Álvares, um dos poucos grandes edifícios lisboetas que sobreviveu ao terramoto de 1755, e o magnífico claustro de dois pisos de D. João III no Convento de Cristo em Tomar iniciado por Diogo de Torralva em 1557. Concluídos anos mais tarde por Filipe Terzi, ambos viriam a evoluir para o maneirismo, de que o claustro é considerado um dos mais importantes exemplos portugueses.

Música Renascentista

Música renascentista refere-se à música europeia escrita durante a renascença ou seja, no período que abrangeu, aproximadamente, os anos de 1400 dC a 1600 dC. A definição do início do período renascentista é difícil devido à falta de mudanças abruptas no pensamento musical do século XV. 

Adicionalmente, o processo pelo qual a música adquiriu características renascentistas foi gradual, não havendo um consenso entre os musicólogos, que têm demarcado seu começo tão cedo quanto 1300 dC até tão tarde quanto 1470 dC. 


Guillaume Dufay, ? 1397 – 1474 e Gilles Binchois, c. 1400 – 1460
A pesquisa musicológica recente, entretanto, sugere que o conceito de início, de um modo geral, deve ser evitado, devido às dificuldades extremas ao definir o significado e a demarcação da época para o termo. 

Entretanto, é seguro se afirmar que o movimentohumanista italiano revelando e divulgando a estética das antigas Roma e Grécia, contribuiu, num nível conceitual, para uma revalidação acelerada da música, mas sua influência direta sobre a teoria musical, composição e interpretação é apenas sugestiva.

D. João III (1521- 1557) - "O Piedoso"

Se Manuel I falhou no seu objectivo de governar Espanha, a seu filho João III (1521-57) faltou-lhe força para resistir à influência Castelhana. Era um homem retirado, piedoso, e muito influenciado por sua mulher Catarina, irmã do imperador Carlos V casado com Isabel de Portugal, , e encorajou a instalação da Inquisição (1536); o primeiro acto da fé realizou-se em 1540. A Sociedade de Jesus, estabelecida em 1540 , depressa controlou a educação em Portugal.

tratado de Zaragoza (1529) resolveu a disputa sobre a posse das Molucas, removendo qualquer obstáculo ao entendimento Português - Espanhol, e o tratado de Tordesilhas fez o mesmo para o Pacífico; assim todos os territórios do Novo Mundo estavam em teoria divididos entre Portugal e Espanha.

A Figura de D. João III - Primeiro filho do matrimónio de D. Manuel I com D. Maria, nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1502. Casa na vila do Crato em 10 de Fevereiro de 1525 com D. Catarina da Áustria irmã mais nova de Carlos V. Faleceu em 1557 e está sepultado na capela-mor do Mosteiro dos Jerónimos.

Figura controversa,. D. João III foi admirado por alguns Carolina Michaelis, Gomes de Carvalho, Mário Brandão, etc.) e criticado por outros ( Herculano ). A.H. de Oliveira Marques esclarece melhor na sua História de Portugal:

"O longo reinado de D. João III (1521-1557), pode ser dividido em dois grandes períodos, diferenciados pela situação económica, a atitude religiosa, a política cultural e até o modo psicológico do soberano.

O príncipe tolerante, aberto às correntes internacionais do pensamento, louvado por humanistas e sempre disposto a acolhê-los, o verdadeiro Mecenas, deu lugar a um governante fanático e curto de vista, controlado pela Companhia de Jesus e os defensores de uma estrita política de Contra-Reforma, mandando prender e condenar aqueles mesmos que antes convidara, mesquinhamente reduzindo despesas e subsídios, fechando escolas e geralmente isolando-se, e ao País, de influências externas."

D. Sebastião (1557-1578) - "O Desejado"

A João III sucedeu-lhe o seu neto Sebastião , que era uma criança com três anos. Desde jovem, que Sebastião estava obcecado pela ideia duma cruzada contra Marrocos. Fanaticamente religioso, não tinha dúvidas do seu próprio poder e só ouvia os seus aduladores. Visitou Ceuta e Tanger em 1574, e começou em 1576 a preparar uma grande expedição contra Larache.

Partiu em Junho de 1578 e em 4 de Agosto foi totalmente destroçado pelos Mouros na Batalha dos Três Reis perto de Alcácer-Quibir (Ksar-el-Kebir). O próprio Sebastião I foi morto, morreram 8.000 dos seus homens, foram capturados cerca de 15.000. Poucos escaparam.

D. Sebastião nasceu em 20 de Janeiro de 1554, filho do príncipe D. João Manuel, jurado herdeiro do trono em 1554 e D. Joana de Áustria, filha de Carlos V. O príncipe D. João nasceu em Évora em 3 de Junho de 1537 e faleceu em 2 de Janeiro de 1554. Casou em Novembro de 1552D. João faleceu com pouco mais de 16 anos de idade, de diabetes juvenil (diabetes tipo I), deixando sua mulher grávida do príncipe D. Sebastião, que nasceu 18 dias depois da morte de seu pai, sendo por isso "O Desejado".

Batalha deAlcacer-Quibir
Morreu na batalha de Alcácer-Quibir em 4 de Agosto de 1578. Pouco inteligente e pouco culto ( Joel Serrão - Dicionário de História de Portugal ) de temperamento irrequieto e impulsivo, extraordinariamente vaidoso, nunca admitiu a mais pequena observação ou ouviu qualquer conselho.

Ainda que tivesse ficado na história como O Desejado, as suas incapacidades de governante foram trágicas para Portugal, levando-nos em Alcácer-Quibir à nossa maior derrota militar, seguida da perda da independência. Os seus desequilíbrios mentais, agora muito na moda, são descritos em pormenor na História de Portugal de Veríssimo Serrão.

Fugia das mulheres e do amor como o diabo da cruz, tanto porque julgava esse sentimento efeminado incompatível com os seus hábitos guerreiros, e porque o seu espírito religioso lhe fazia ver o ideal da vida humana na castidade ascética. D. Sebastião tornou-se completamente um escravo dos jesuítas, que tudo tinham feito por lhe desenvolver o fervor religioso, que animavam o seu afastamento das mulheres, porque a influencia duma mulher, esposa ou amante, destruiria para sempre a influência do confessor. 

Como as cortes insistiam para que el-rei escolhesse noiva entre as princesas europeias, D. Sebastião resignou-se, e principiou a negociar-se o seu casamento com a célebre Margarida de Valois, irmã de Carlos IX. No entanto o embaixador francês em Lisboa escreveu a Carlos IX, indicando-lhe que D. Sebastião sofria de "blenorragia", estranha doença para quem detestava o sexo fraco, e assim os propósitos de casamento foram cancelados.

Durante uma viagem que fez pelas províncias, fugindo da peste de Lisboa, praticou as maiores extravagâncias. Mandava abrir os túmulos dos reis seus antepassados, extasiava-se diante dos que tinham sido guerreiros, mostrava o mais completo desdém pelos pacíficos, principiando a inspirar a todos os mais sérios receios esta sua índole destemperada e bravia que se curvava ao jugo dos jesuítas. 

Ficou extasiado pelo tamanho das ossadas de D. Afonso III, e repreendeu severamente os restos de D. Pedro I no seu túmulo, que não foi aberto, pelas suas loucuras amorosas com Inês de Castro ! Os restos mortais de D. Sebastião foram sepultados no Mosteiro dos Jerónimos em 1582, com a presença de Filipe I de Portugal. 

Os negócios de Estado foram sempre um peso para ele, tendo sempre alijado em outros os cuidados da governação. Nunca casou, "Falar-lhe em casamento é falar-lhe em morte" informava o embaixador de Espanha, e o padre José de Castro conhecedor dos arquivos secretos do Vaticano, dizia que o rei nunca casou porque não podia casar.


Luis Vaz de Camões - Os Lusíadas

Luís Vaz de Camões (N. c. 1524/25, Lisboa -- M. a 10 de Junho de 1580, Lisboa), o maior poeta português de sempre, autor do poema épico Os Lusíadas (1572), que descreve a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama.

Camões teve um impacto permanente e sem paralelo na literatura portuguesa e brasileira, devido a não só ao seu poema épico mas também à muita poesia lírica publicada posteriormente. Os Lusíadas são um poema épico escrito em 10 Cantos, em oitava rima e com 1.102 estrofes.

Camões por José Malhoa
Supõe-se que Camões nasceu em Lisboa, de ascendência galega, entre 1524 e 1525., quando a expansão portuguesa no Oriente estava no seu auge. A tradição diz que Camões estudou em Coimbra, mas embora isso nunca tenha podido provar-se, não deixa de ser verdade que pouco poetas Europeus tinham na altura um conhecimento de cultura clássica e filosófica que se pudesse comparar à de Luís de Camões.

Supõe-se também que serviu como soldado em Ceuta, em 1550, aí perdendo um olho. Em 1552, de regresso a Lisboa, esteve preso durante oito meses por ter ferido, numa rixa, Gonçalo Borges, um funcionário da corte. Data do ano seguinte a referida "Carta de Perdão".

Nesse mesmo ano, segue para a Índia. Nos 17 anos seguintes, serviu no Oriente, ora como soldado, ora como funcionário, pensando-se que esteve mesmo em território chinês, onde teria exercido o cargo de provedor dos defuntos e ausentes, a partir de 1558.

Em 1560 estava de novo em Goa, convivendo com algumas das figuras importantes do seu tempo (como o vice-rei D. Francisco Coutinho ou Garcia de Orta). Em 1567 iniciou o regresso a Lisboa.

No ano seguinte, o historiador Diogo do Couto, amigo do poeta, encontrou-o em Moçambique, onde vivia na penúria; juntamente com outros antigos companheiros, conseguiu o seu regresso a Portugal, onde desembarcou em 1570.

Data de 1550 um documento que o dá como alistado para viajar à Índia: "Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, moradores em Lisboa, na Mouraria; escudeiro, de 25 anos, barbirruivo, trouxe por fiador a seu pai; vai na nau de S. Pedro dos Burgaleses... entre os homens de armas". Afinal não embarcou de imediato.

Túmulo de Camões (?) nos Jerónimos
Numa procissão de Corpus Christi altercou com um certo Gonçalo Borges, empregado do Paço, e feriu-o com a espada. Condenado à prisão, foi perdoado pelo agravado em carta de perdão. Foi libertado por ordem régia em 7 de março de 1553, que diz: "é um mancebo e pobre e me vai este ano servir à Índia". 

Manuel de Faria e Sousa encontrou nos registos da Armada da Índia, para esse ano de 1553, sob o título "Gente de guerra", o seguinte assento: "Fernando Casado, filho de Manuel Casado e de Branca Queimada, moradores em Lisboa, escudeiro; foi em seu lugar Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, escudeiro; e recebeu 2400 como os demais".

Os Lusíadas (1572)

Os Lusíadas é considerada a epopeia portuguesa por excelência. O próprio título já sugere as suas intenções nacionalistas, sendo derivado da antiga denominação romana de Portugal, Lusitânia.

É um dos mais importantes épicos da época moderna devido à sua grandeza e universalidade.

A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia.

É uma epopeia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer sensual e nas exigências de uma vida ética, na percepção da grandeza e no pressentimento do declínio, no heroísmo pago com o sofrimento e luta.

O poema abre com os célebres versos:
As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
.....
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte




Os Lusíadas - Canto 1

Cardeal  D. Henrique " O Casto" (1578-1580)

A D. Sebastião I sucedeu-lhe o seu tio-avô, Cardeal Henrique , irmão de D. João III. Com a sua idade e solteiro, via-se que o trono de Portugal, deixaria rapidamente a linha directa da dinastia de Avis.

Filipe II de Espanha, filho de Isabel de Portugal e portanto sobrinho de D.João III, e marido (pelo seu primeiro casamento com de D. Maria filha de D.João III), tinha feito todos os preparativos, e na morte do cardeal - rei (31 Janeiro 1580), solicitou às autoridades que lhe obedecessem.

Os adeptos de D. António o prior do Crato (filho ilegítimo de D. Luís, irmão de D. João III) aclamaram-no rei como D. António I em Santarém, mas fracassaram. Um exército sob o comando do duque de Alba entrou em Portugal em 1580 e derrotou o pequeno exército português na batalha de Alcântara em Lisboa. .

Batalha da ribeira de Alcântara .

«Um combatente do lado português faz o seguinte relato: Sabendo o duque de Alba por espias e ruins portugueses, como grande parte da gente da cidade se recolhia a ela a dormir em suas casas, acometeu de súbito o arraial do Senhor D. António trabalhando de entrar pela ponte de Alcântara, assim para lhe inquietar a gente, como ganhar naquela revolta contra os moinhos de vento, um outeiro que ficava sobranceiro ao arraial do inimigo e colocou nele a sua artilharia.

Em amanhecendo, mandou o duque ao Prior seu filho, que cometesse o arraial pela parte aonde a artilharia estava prantada. O Prior ajudado da sua artilharia cometeu o arraial com a sua gente de cavalo e outra de escopeta; a gente de cavalo portuguesa, que era muita e boa: mas molestados da artilharia e escopetaria do inimigo viraram muitos as costas, sem aproveitar nada o esforço que lhes punha o Senhor D. António. Fugindo os de cavalo, foi parte para que fugisse também a gente de pé.


O Senhor D. António, vendo inclinar-se a vitória à parte do inimigo, dizem que se meteu com alguns fidalgos principais no mais perigoso da batalha como homem que não queria mais vida e pelejando valorosamente lhe aconselharam os seus, pois que a vitória estava já declarada pela parte contrária se recolhesse à cidade, o que ele fez ferido de duas ferias ruins na cabeça, das quais uma lhe fez um cavaleiro luzido dos contrários, que logo ali foi morto pelos fidalgos que o acompanhavam e a outra lhe fez um fidalgo português dos seus mesmos, que foi de todos bem conhecido. E por aqui se verá com quantas traições se alcançou esta vitória contra o Senhor D. António»

Filipe II de Espanha tornou-se Filipe I de Portugal (1580-98). As reclamações da duquesa de Bragança, D. Catarina de Bragança ( que não foram muito fortes) não foram atendidas. D. Catarina era filha de D. Duarte irmão de D. João III e D. Isabel.

Filipe II, entrou em Lisboa em 1581, e perante as cortes gerais que se reuniram em Tomar (15 de Abril), jurou as condições em que reinaria. A sua ideia não foi a absorção de Portugal por Espanha, mas uma monarquia dualista, em que tínhamos perfeita autonomia no mesmo pé que Castela. Cumpriu religiosamente o que prometera; e foi seu neto Filipe IV, ou melhor, o conde-duque de Olivares quem, iludindo-as, provocou mais tarde a revolta dos portugueses.

O Cardeal D. Henrique nasceu em Lisboa a 31 de Janeiro de 1512, filho de D. Manuel I e da sua segunda mulher D. Maria sendo o derradeiro monarca da casa de Avis. Morreu em Almeirim a 31 de Janeiro de 1580, e por ordem de Filipe I, o seu corpo foi transferido para os Jerónimos.

Economia

Expansão do Império Português (séculos XV e XVI)

Henrique o Navegador foi uma figura importante nos primeiros dias do Império Português, a ser responsável pelo início da exploração em todo o mundo europeu e do comércio marítimo.

Em 1415, Ceuta foi ocupada pelos portugueses com o objectivo de controlar a navegação do litoral Africano, expandindo o cristianismo com a disponibilidade do papado e fornecer a nobreza com a guerra. O filho do rei, Henrique o Navegador, em seguida, tomou conhecimento da rentabilidade das rotas comerciais saarianas. 

O governador dos ricos da "Ordem de Cristo" e detentores de monopólios valiosas sobre os recursos no Algarve, ele patrocinou viagens pela costa da Mauritânia, reunindo um grupo de comerciantes, armadores e as partes interessadas na criação de rotas marítimas. Mais tarde, seu irmão, o príncipe Pedro concedeu-lhe um "Royal Flush" de todos os lucros do comércio nas áreas descobertas. Logo, as ilhas atlânticas da Madeira (1420) e Açores (1427) foram alcançadas e começou a ser resolvido, produzir trigo para exportação para Portugal.

Em Janeiro de 1430, a princesa Isabel de Portugal casou com Filipe III, Duque de Borgonha, conde de Flandres. Cerca de 2.000 portugueses acompanharam, desenvolvendo grande atividade no comércio e finanças no que era então o mais rico tribunal europeu. Com o apoio português, no estaleiro Bruges foi iniciado e em 1438 o duque concedeu aos comerciantes portugueses a oportunidade de eleger os cônsules de poderes legais, dando plena jurisdição civil para a comunidade portuguesa. Em 1445, a Feitoria portuguesa de Bruges foi construída.

Em 1443, Príncipe Pedro, irmão de Henrique, concedeu-lhe o monopólio da navegação, guerra e comércio nas terras ao sul do Cabo Bojador. Mais tarde, esse monopólio seriam imposta pelas bulas papais de Dum Diversas (1452) e Romanus Pontifex (1455), que concede ao Portugal o monopólio do comércio para as terras recém-descobertas.

Quando o primeiro português navegou pelo Atlântico, a estender sua influência na costa da África, eles estavam interessados ​​em ouro. O comércio de África sub-saariana foi controlada pelos muçulmanos, que controlavam rotas do comércio trans-saariana de sal, kola, têxteis, peixes e grãos, engajados no comércio de escravos árabes 

Para atrair os comerciantes muçulmanos ao longo das rotas percorridas no Norte de África, o primeiro posto comercial de fábrica foi construída em 1445 na ilha de Arguim, na costa da Mauritânia. Os comerciantes portugueses acessaram o interior através dos rios Senegal e Gâmbia, o que dividiu em duas longas rotas trans-saarianas. Eles trouxeram cobres, panos, ferramentas, vinhos e cavalos, posteriormente incluído armas e munições. 

Em troca, eles receberam o ouro das minas de Akan, pimenta da Guiné (um comércio que durou até Vasco da Gama alcançar a Índia em 1498) e marfim. As oportunidades de mercado em expansão na Europa e no Mediterrâneo resultaram no aumento do comércio através do comércio com Saara. Havia um mercado muito pequeno de escravos africanos como empregados domésticos na Europa e como trabalhadores nas plantações de açúcar do Mediterrâneo e depois Madeira. 

Os portugueses descobriram que podia fazer uma quantidade considerável de ouro por transporte de escravos um posto de troca para o outro, ao longo da costa atlântica da África: os comerciantes muçulmanos tinham uma grande demanda por escravos, que eram usados ​​como carregadores nas rotas trans-saariana e para venda no Império Islâmico.

Ilhas atlânticas no comércio de açúcar

Expansão agricultura de cana-de-açúcar nas capitanias na Madeira começaram em 1455, com assessores de Sicília e (muito) capital genovês para produzir o "sal doce" rara na Europa. Já cultivadas no Algarve, a acessibilidade da Madeira atraiu comerciantes genoveses e flamengos afiados para ignorar monopólios Venetianos. A produção de cana-de-açúcar se tornou um dos principais factores na economia da ilha e o estabelecimento de plantações na Madeira, nas Canárias e Cabo Verde aumentou a demanda por trabalho. 

Ao invés de negociação escravos de volta a comerciantes muçulmanos, não havia um mercado emergente para os trabalhadores agrícolas nas plantações. Por volta de 1500, portugueses tinham transportado cerca de 81.000 escravos para estes vários mercados e a proporção de escravos importados na Madeira atingiram os 10% do total da população por volta do Século XVI. Em 1480, Antuérpia tinha cerca de 70 navios no comércio de açúcar de Madeira, com a refinação e distribuição concentrada na cidade. Perto da Década de 1490, Madeira tinha ultrapassado Chipre na produção de açúcar e o sucesso dos comerciantes de açúcar, como Bartolomeo Marchionni iria impulsionar o investimento em viagens exploratórias.

Ouro guineenses

Em 1469, a responder aos parcos rendimentos das explorações africanas, o rei Afonso Vconcedeu monopólio do comércio na parte do Golfo do Guiné para o comerciante Fernão Gomes. Para uma renda anual de 200.000 reais, Gomes foi para explorar 100 léguas da costa da África anualmente, por cinco anos (mais tarde o acordo foi prolongado por mais um ano). 

Ele ganhou os direitos de negociação de monopólio de um substituto o popular pimenta negra, então chamado de "malagueta", a pimenta do guiné (Aframomum melegueta), por outro pagamento anual de 100 mil reais. Os Portugueses encontraram comerciantes muçulmanos entrincheirados no litoral Africano até o golfo do Benim . A costa do escravo, como o Golfo do Benim era conhecida, foi atingido pelos portugueses no início da Década de 1470. Não foi até que chegaram à costa do Reino do Congo na Década de 1480 que excedeu território de negociação muçulmana.

Castelo Elmina visto do mar em 1668

Em patrocínio do Gomes, o Equador foi cruzado e as ilhas do Golfo da Guiné foram atingidos, incluindo São Tomé e Príncipe.

No litoral, Gomes encontrou uma próspera comércio aluviais do ouro entre os nativos e os visitantes comerciantes árabes e berberes ao porto, que logo foi chamada de El Mina ou Elmina (que significa "a mina"), onde estabeleceu a feitoria. O comércio entre Portugal e de Elmina cresceu ao longo da próxima década. A porta tornou-se um importante centro de comércio de ouro e escravos comprados pelo povo local africano ao longo dos rios escravos do Benin. A usar seus lucros do comércio africano, Fernão Gomes ajudou o rei Português nas conquistas de Arzila, Alcácer Ceguer e Tânger, no Marrocos.

Dadas aos grandes lucros, em 1482 o recém-coroado rei João II ordenou uma fábrica a ser construída em Elmina, para gerenciar a indústria do ouro local: Castelo de Elmina . A centralizada comercial da fábrica de São Jorge da Mina, foi realizada novamente como um real monopólio. A Companhia da Guiné foi criada em Lisboa, uma instituição governamental que era lidar com o comércio e fixar os preços das mercadorias.

A exploração portuguesa no litoral africano no Século XV é geralmente considerada como o precursor do colonialismo europeu e marcou o início do tráfico de escravos no atlântico, a evangelização do missionário cristão e o primeiro processo de globalização que estavam a tornar-se um elemento importante do colonialismo europeu até o final do Século XVII. Até o início da era colonial, havia 40 fortes operacionais ao longo da costa. Eles agiam principalmente em postos comerciais e raramente viu a ação militar, mas as fortificações foram importantes, como armas e munições estavam sendo armazenados antes de comércio.

Comércio de especiaria

O lucro do comércio das especiarias no leste foi encurralado pelos portugueses no Século XVI. Em 1498, Vasco da Gama é pioneiro da viagem ao atingir a Índia pelo mar, a primeira abertura do comércio europeu directo no Oceano Índico. Até este ponto, as importações de especiarias para a Europa tinha sido trazido por terra através da Índia e da Arábia, com base em terra misturada e rotas marítimas através do Golfo Pérsico, Mar Vermelho e caravanas, depois em todo o Mediterrâneo pelos venezianos para distribuição na Europa Ocidental, que tinha um virtual monopólio sobre estes produtos valiosos. Ao estabelecer essas rotas de comércio, Portugal mina o comércio veneziano com sua abundância de intermediários.

Palácio da Ribeira
A República de Veneza, ganhou o controlo sobre grande parte das rotas de comércio entre a Europa e a Ásia. Depois que as rotas tradicionais das terras para a Índia tinha sido fechado pelo turcos otomanos, Portugal esperava usar a rota marítima pioneira do Gama para quebrar o monopólio comercial de Veneza.

Portugal visava controlar o comércio dentro do Oceano Índico e seguras as rotas marítimas que ligam da Europa à Ásia. Esta nova rota marítima em torno do Cabo da Boa Esperança foi firmemente assegurada para Portugal pelas atividades de Afonso de Albuquerque, que foi nomeado vice-rei Português da Índia em 1508.

Os primeiros exploradores portugueses estabeleceram bases em Moçambique e Zanzibar e supervisionaram a construção de fortalezas e fábricas (feitorias) ao longo do litoral africano, no subcontinente indiano e em outros lugares na Ásia, o que consolidou a hegemonia portuguesa.

Descobertas, explorações, conquistas e assentamentos portugueses no exterior no início do Século XVI.

Em Lisboa, a Casa da Índia foi a organização central que conseguiu todo o comércio português no estrangeiro em regime de monopólio real durante os Séculos XV e XVI. Fundada em 1500, foi o sucessor da Casa da Guiné, a Casa de Guiné e Mina e Casa da Mina. Casa da Índia manteve um monopólio real sobre o comércio de pimenta, cravo e canela, cobrar um imposto de 30% (trinta por cento) sobre os lucros de outros artigos.

A exportação e distribuição para a Europa foi feita pela fábrica portuguesa em Antuérpia. Por cerca de 30 anos, de 1503 a 1535, o corte português para o comércio de especiarias de Veneza no Mediterrâneo oriental. Por volta de 1510, o Rei Manuel I foi a embolsar um milhão de cruzados por ano a partir do comércio das especiarias sozinho e isso levou o Rei François I (Leia-se “Françuar”, ou Francisco I) da França ao chamar Manuel I de "le roi épicier", a significar "o rei merceeiro".

Em 1506, pelo menos 65% das receitas do Estado foi produzido pelos impostos sobre a actividade no exterior. A renda começou a declinar em meados do Século XVI, devido aos custos de manter a presença em Marrocos e o lixo doméstico. Além disso, Portugal não desenvolveu uma ampla infra-estrutura interna para apoiar esta actividade, mas contou com os estrangeiros para muitos serviços de apoio às empresas a sua negociação e, portanto, muito dinheiro foi consumido desta forma. 

Em 1549, o centro comercial Português em Antuérpia faliu e foi fechada. Como o trono tornou-se mais engajado na Década de 1550, cada vez mais invocado de financiamento externo. Por volta de 1560, o rendimento da Casa da Índia, não foi capaz de cobrir as suas despesas. A monarquia portuguesa tornou-se, nas palavras de Garrett Mattingly, o dono de "a bankrupt wholesale grocery business" ("um negócio atacado em segmento de falência", em inglês).

Comércio triangular entre a China, Japão e Europa

Goa tinha funcionado desde o início como a Capital da Índia Portuguesa, a base central de navegação da rede comercial que liga Lisboa, Malaca até a China e as Ilhas Molucas(Ternate) desde 1513.

Em 1542, os comerciantes portugueses chegaram ao Japão. De acordo com Fernão Mendes Pinto, que afirmou ter estado presente neste primeiro contato, eles chegaram a Tanegashima, onde os moradores ficaram impressionados com armas de fogo que seria imediatamente feita pelos japoneses em grande escala. 
Nau Portuguesas em Nagasaki
A chegada dos portugueses no Japão em 1543 iniciou o período de comércio Nanban, com os anfitriões a adopção de diversas tecnologias e práticas culturais, como o arcabuz, couraças de estilo europeu, os navios europeus, o cristianismo, arte decorativa e da linguagem. Em 1570, após um acordo entre jesuítas e um daimyo local, os portugueses foram concedido um porto japonês onde fundaram a cidade de Nagasaki, a criar assim um centro comercial que durante muitos anos foi principal porta de entrada do Japão para o mundo.

Logo depois, em 1557, os comerciantes portugueses estabeleceram uma colónia na ilha de Macau. As autoridades chinesas permitiram aos Portugueses para resolver por meio de um pagamento anual, a criação de um armazém. Depois que os chineses proibiram o comércio direto dos comerciantes chineses com o Japão, os portugueses preencheram este vácuo como intermediários. 

A actuar no comércio triangular entre a China, Japão e Europa, os portugueses compraram seda chinesa e vendeu para os japoneses em troca para a prata japonesa, já que a prata era mais valorizada na China, os portugueses podiam então usar o metal recém-adquiridas para comprar acções ainda maior de seda chinesa. No entanto, por volta de 1573, depois que os espanhóis estabeleceram uma base comercial em Manila, o comércio intermediário português foi superado pela principal fonte de entrada de prata para a China e da América espanhola. 

Como Portugal aumentou a sua presença ao longo da costa da China, que iniciou o comércio de escravos. Muitos escravos chineses foram vendidos para Portugal.  Desde o Século XVI, os escravos chineses existiam em Portugal, a maioria delas eram crianças chinesas e um grande número foram enviados para as Índias. Prisioneiros chineses foram enviados para Portugal, onde foram vendidos como escravos; eles foram apreciados e considerados melhores do que os escravos mouros e negros.

A primeira visita de uma pessoa conhecida chinês na Europa é datada até 1540, quando um estudioso chinês, escravizado durante uma das várias incursões portuguesas algures na costa sul da China, foi trazido para Portugal. Comprado por João de Barros, que trabalhou com o historiador português em traduzir textos em chinês para o português. Dona Maria de Vilhena, uma mulher nobre portuguesa de Évora, Portugal, possuía escravo do sexo masculino chinês em 1562.   No Século XVI, um pequeno número de escravos chineses, ao redor de 29 a 34 pessoas, estava no sul de Portugal, onde foram utilizados no trabalho agrícola.

Rapazes chineses foram capturados na China e através de Macau foram trazidos para Portugal e vendidos como escravos em Lisboa. Alguns foram vendidos no Brasil, uma colónia portuguesa.  Devido à hostilidade do Império Chinês em relação ao tráfico de escravos chineses, em 1595 uma lei foi aprovada pelo Portugal, proíbe a compra e venda de escravos chineses. Em 19 de Fevereiro de 1624, o Rei de Portugal proibiu a escravização do povo chinês de ambos os sexos.

A Guardar seu comércio por parte dos concorrentes europeus e asiáticos, Portugal dominou não somente o comércio entre a Ásia e a Europa, mas também grande parte do comércio entre diferentes regiões da Ásia, como Índia, Indonésia, China e Japão. Missionários jesuítas, como o basco Franci Javier (ou Francisco Xavier), seguidor português para difundir o catolicismo romano para a Ásia, com resultados mistos.

Expansão na América do Sul

Durante o século XVI, Portugal também iniciou a colonizar seu território recém-descoberto do Brasil. No entanto, os postos de troca temporária foram estabelecidos anteriormente para recolher Pau-Brasil, utilizado como corante, e com assentamentos permanentes foi a criação da indústria de cana-de-açúcar e seu trabalho intensivo. Vários primeiros assentamentos foram criados, entre eles a capital colonial, Salvador, fundada em 1549 naBaía de Todos os Santos (no norte) e a cidade do Rio de Janeiro (no sul) em 21 de Janeirode 1567.

Os colonos portugueses aprovaram uma economia baseada na produção de bens agrícolas, que eram exportados para a Europa. O açúcar se tornou de longe o produto mais importante colonial brasileira até o início do Século XVIII, quando o ouro e outros minerais assumiu uma maior importância.

Mapa do português Lopo Homem (por volta do ano de 1519) a mostrar a costa do Brasil e nativos a extrair o pau-brasil, bem como os navios portugueses.

Durante o século XVI, Portugal também iniciou a colonizar seu território recém-descoberto do Brasil. No entanto, os postos de troca temporária foram estabelecidos anteriormente para recolher Pau-Brasil, utilizado como corante, e com assentamentos permanentes foi a criação da indústria de cana-de-açúcar e seu trabalho intensivo. 

Vários primeiros assentamentos foram criados, entre eles a capital colonial, Salvador, fundada em 1549 na Baía de Todos os Santos (no norte) e a cidade do Rio de Janeiro (no sul) em 21 de Janeiro de 1567. Os colonos portugueses aprovaram uma economia baseada na produção de bens agrícolas, que eram exportados para a Europa. O açúcar se tornou de longe o produto mais importante colonial brasileira até o início do Século XVIII, quando o ouro e outros minerais assumiu uma maior importância.

A primeira tentativa de estabelecer a presença portuguesa no Brasil foi feito por D. João III em 1533. Sua solução foi simplista, ele dividiu o litoral em quinze secções, cada uma cerca de 150 (milhas ou quilómetros? de comprimento, concedeu estas tiras de terra, em uma base hereditária, de capitães por quinze anos como donatários, o que ficaram conhecidos como donatários das Capitanias Hereditárias. 

Cada donatário e seus herdeiros poderiam fundar cidades, terras de subvenção e cobrar impostos sobre o território quanto eles poderiam colonizar o interior da sua extensão de linha costeira. Foram apenas dois dos donatários tiveram sucesso e prosperavam. Na Década de 1540, D. João III foi forçado a mudar sua política. Ele colocou o Brasil sob controle real directo (como na América espanhola) e nomeou um governador-geral. 

O primeiro governador-geral do Brasil a chegar em 1549 e sediada na própria Bahia (hoje conhecido como Salvador). Manteve-se a capital portuguesa do Brasil por mais de dois séculos, até ser substituída pela do Rio de Janeiro em 1763.

A força económica portuguesa do Brasil na primeira derivada das plantações de açúcar no norte do país, criado logo em 1530 por um dos dois donatários que prosperavam. Mas a partir por volta do Século XVII, o Brasil beneficiou na última das riquezas minerais que sustentava a América espanhola. O ouro foi encontrado em 1693 na região sul do interior de Minas Gerais. A descoberta desencadeou a primeira grande corrida do ouro primeiro das Américas, a abertura do interior, como garimpeiros invadiram o oeste, que sustentam a economia do Brasil durante a maior parte do Século XVIII. Os diamantes foram descobertos também em grandes quantidades na mesma região no Século XVIII.

Colonos moveram-se gradualmente para o oeste no interior. Acompanhando o primeiro governador-geral em 1549 eram membros da ordem recém fundada dos jesuítas. Em sua missão de converter os índios, eles eram muitas vezes a primeira presença europeia em novas regiões longe da costa. Eles frequentemente colidiram com aventureiros também pressionando interior (em grandes expedições conhecidas como Bandeiras) para encontrar ouro e prata ou capturar índios como escravos. Estes dois grupos, com suas motivações muito diferentes, trouxeram uma presença portuguesa muito além da Linha de Tordesilhas. 

No final do Século XVII, o território do Brasil abrangeu toda a bacia do Amazonas a oeste até os Andes. Ao mesmo tempo, os colonos portugueses se mudaram para sul ao longo da costa além do Rio de Janeiro. Uma cidade portuguesa foi criada no Rio da Prata em 1680, provocando um século de conflitos fronteiriços Espanhol-Português no que hoje é o Uruguai. Enquanto isso, o uso do Português deu gradualmente na região central da América do Sul uma identidade e uma cultura distinta dos seus vizinhos espanhóis.


A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto
http://historia-portugal.blogspot.pt/2011/06/peregrinacao-de-fernao-mendes-pinto.html

Raínhas de Portugal da Dinastia de Aviz
http://historia-portugal.blogspot.pt/2013/10/rainhas-de-portugal-dinastia-de-aviz.html

A suposta dinastia de "Avis-Beja"

Há algumas dezenas de anos atrás, o historiador A. H. de Oliveira-Marques categorizou, num dos seus mapas genealógicos inseridos na obra em dois volumes História de Portugal, a sucessão de de D. João I até D. Manuel no primeiro desses mapas, intitulado Dinastia de Avis; e no mapa subsequente deu a descendência familiar de D. Manuel I até D. António, chamando a esse mapa genealógico, por mera facilidade de identificação e leitura, de "Avis-Beja".

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